sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal!



Sozinho vai-se mais rápido.
Juntos, vamos mais LONGE!

Nós, no Caminho de Santiago, enquanto deixávamos nossas toalhas secando ao sol...
Foto: Sandra Crowe

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Para o Natal

Já é Natal! Caramba, como passou rápido! Faz quase um ano que aqui estamos, e temos tanto para fazer ainda! Será que dá? Acho que não... Que bom! Teremos motivos para voltar!

Provavelmente é o primeiro Natal que passamos fisicamente longe de nossos familiares e parentes - e notem que usei a palavra "familiares", pois, nossa família é MUITO maior do que aquela dos laços de sangue...

Tivemos a ideia de fazer o Peripécias para DIVIDIR aquilo que vivenciamos deste "lado". E deu certo não só como um ponto de encontro virtual, como também como uma terapia para mim e para a Cláudia... Como faz bem escrever algo para dividir com vocês! E escrever numa linguagem informal, como se estivéssemos num "buteco", é melhor ainda! Dá prazer em fazer.

E no Natal, escreveremos alguma coisa? A dúvida pairou... Acho que sim. Acho que não. Talvez... Sobre o quê escrever?

De uma certa maneira, escrevemos nossa(s) mensagem(ns) natalícias ao longo do ano. A própria ideia do Peripécias é uma mensagem de Natal: a partilha, o encontro, a novidade, o carinho, a atenção... Todos os dias deste ano foram Natal para nós: tivemos a oportunidade de antecipar o período em que se reflete a vida, e a maneira de encará-la, em algumas décadas! E tentamos dividir tudo isso!

Agora em primeira pessoa (Fabio):
Aproveitando a época de profunda comoção coletiva, e baseado nas experiências que presenciei/senti por aqui, pergunto:

Seria a Educação a ciência que mais se aproxima do ideal cristão?

Complexo, não?! Será? Esta é a tarefa de casa para o(s) próximo(s)ano(s).

Um grande beijo

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sessão terapêutica!

Hoje estou crítica-reflexiva em relação ao universo acadêmico (refiro-me a Portugal e ao Brasil) diante de tantos critérios para nos dizer o que é e o que não é, o que pode e o que não pode, o que 'deve' e o que não 'deve' ser relevante e considerado como Ciência. Acham (e nós muitas vezes também achamos) que deste lugar de poder - a academia - o que se visualiza é o conhecimento 'científico', 'puro', como se fosse possível dissociá-lo de nossa humanidade e de tudo o que, porque a ciência é do humano, está no entorno dela.
Ontem li um poema de Fernando Pessoa-Álvaro de Campos adaptado por Alexandre Costa que traduz um pouco o que, em geral, se diz-pensa neste lugar (In Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso – GEGe. CÍRCULO – Rodas de Conversa Bakhtiniana 2009 – Caderno de Textos e Anotações. São Carlos: Pedro & João Editores. 2009. 420p.)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo...
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza...

Mas, como há sempre alguma pontinha de luz em algum lugar... Sempre há uma esperança!
Sempre há brechas nas quais podemos respirar e encontrar fôlego para continuar. E lutar. E defender a multiplicidade e a complexidade de conhecimentoS que nos constituem.
Em nossa profunda humanidade.
Em nossa humildade profunda.
Como gente que somos e nos fazemos a cada dia.
Ética e esteticamente.
Por isto, agradeço à querida Rosa Nunes, professora portuguesa, por nossos encontros e pelas brechas possíveis para um conhecimento outro!

Bjs, Claudinha

Nem tudo são flores

Temos (com)partilhado com nossos interlocutores as narrativas que dão a ler-ver, nossas aventuras por terras portuguesas: os patrimônios, a natureza, as gentes e coisas de gente como nós.
Foram incontáveis as boas surpresas que experienciamos nesta temporada 'cá'.
E, humanos como nós, também soubemos (e experienciamos acontecimentos singulares neste sentido) de que 'nem tudo são flores'.
Alguns excertos para explicitar esta constatação:
Atualmente Portugal é o país da Europa que tem o maior índice de violência doméstica (tema abordado, inclusive, naquele evento que contamos em outro post dos "Bonecos de Santo Aleixo", no interior do interior do Alentejo). Desafio a superar...
Em Lisboa, mais especificamente, mas também espalhado por todo o país, é comum pessoas atenderem de forma ríspida ou responderem a uma pergunta grosseiramente. Com raras exceções, em geral, depois desse primeiro impacto, ao abrirmos um sorriso e mostrarmos cordialidade em nossa intenção-ação, muito alteram em sua postura 'mal-educada'. Desafio a vencer... por nós e por eles.
Aprendemos (eu, particularmente, por inúmeras vivências cá), que a produção intelectual em Portugal (e eu diria, em muitos lugares na Europa) é relevante em minha área de conhecimento. Entretanto, quando se busca conhecimentos outros tecidos em inter-relação com outros espaço-tempos, pouco se encontra, pois fundamentalmente é 'relevante' quando se está enquadrado nos parâmetros considerados legítimos por uma dita ciência moderna. E, além disto, também as possibilidade de diálogo aberto e interlocução bakhtiniana são poucas, embora haja abertura e encontro.
Por estas e por outras, aprendemos a valorizar Portugal.
Por estas e por outras, aprendemos a (re)valorizar o Brasil.
Beijos!!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

E o que aconteceu?

A maioria já está avisada, e, para quem não está, avisamos: há algum tempo conhecemos um casal, por acaso, no Capuccinos (café que frequentamos, cujos donos são dois brasileiros, de Dourados(!) - é uma história que precisaríamos contar, também...). Depois do primeiro encontro, nossa amizade foi crescendo, cada vez mais, apoiada nas coincidências dos valores morais e éticos, e maneira de lidar com a vida. E, para ajudar mais ainda, eles são nossos vizinhos! Enfim, são nossos GRANDES companheiros d'além mar: Alessandra e Antonio. Mas, isso fica para outro post... A apresentação serve para introduzir a história que relato abaixo.

Combinamos, há algum tempo, de passearmos juntos durante um final de semana. E deu certo neste. Até que enfim! Nada longe demais, apenas o suficiente para conhecermos melhor alguma outra região/cidade. E escolhemos Monsaraz. Nós - eu e Cláudia junto com a Márcia - já estivemos por lá, na volta da Espanha. A passagem foi rápida, mas, suficiente para deixarnos com vontade de voltar. Eles, nunca haviam estado lá.

Colhemos informações básicas sobre o lugar e região: vários monumentos milenares de pedra (com mais de 3.000 a.c.); o maior lago artificial da Europa; centro Oleiro (cerâmica) de Portugal; Rota do vinho alentejano(!). E outros montes de coisas... Uma das que chamou nossa atenção (na realidade, da Cláudia a princípio) foi uma apresentação de títeres tradicionais do Alentejo (similares a marionetes) que aconteceria na vila de Rosário, sábado à noite. E por quê? Porque era uma tradição perdida há anos, e resgatada há pouco tempo. E fomos vê-la. Nossa vontade de conhecer um pouco dos costumes do povo do Alentejo concretizou-se ali!

Foi razoavelmente difícil achar o local - no meio de uma região pouco habitada, à noite e durante o inverno. Resultado: não havia ninguém na rua para nos dar informação. Quando achamos, descobrimos não haver nada para comer - só havia bebidas. E estávamos com fome (principalmente o Antonio)!! Perguntamos para o dono do bar, que nos indicou um restaurante, o único que poderia estar aberto àquela hora. Encontrarmos fácil (a vila é minúscula), porém, ali também não tinha nada de comer... O que fazer? O Antonio estava verde de fome, e eu também... Títeres ou comida?

- Comida a gente vê todo dia, mas, esta apresentação...

Falou mais alto, mesmo, a oportunidade. E voltamos ao centro recreativo de Rosário.
Não sei se foi sorte ou a Providência. Mas, assim que chegamos ao centro recreativo, vimos um aglomerado de pessoas em volta de uma Van: era um vendedor de guloseimas!!! Simplesmente parado ali, em frente ao "ginásio", estava vendendo doces - a maioria do cardápio - e pães de chouriço! Não tivemos dúvida: pão de chouriço "na cabeça"!

- Quantos tem?
- Três.
- Não tem mais. (eram pequenos)
- Tome estes, que vou até em casa buscar outros.

E aconteceu: compramos os três. Entramos no bar, pedimos uma garrafa de vinho, repartimos os pães (com a mão) e, minutos depois, já com os pães acabados, chega ele novamente. Mandamos os outros três para baixo - e mais dois pastéis de nata e um doce típico da região (não lembro o nome).

Depois foi só assistir ao show. Ou melhor, ESPETÁCULO! Imaginem a atmosfera daquele lugar, onde cinema só existe em sonho, e o total de habitantes não deve chegar à 1500. Era o acontecimento do ano! Estavam todos lá!




Foi MUITO especial. Inesquecível! Nos temas da apresentação conseguia-se notar as sutilezas "psicológicas" e comportamentais: Adão e Eva; Caim e Abel; sexo com animais; festas e danças típicas; alcoolismo; violência doméstica; etc. Foi uma noite para gente simples e feita por gente simples. Nós, os únicos "intrusos", tivemos o privilégio de presenciar aquilo tudo, e fomos simplesmente surpreendidos com o que vimos e sentimos. Porém, tenho certeza que também pegamos eles de surpresa!

Beijos

A quem interessar possa

A cada passeio ou viagem que fazemos, onde quer que estejamos, este blog é presença constante... Já criou vida, fazendo parte de nosso quotidiano (e de tantas outras pessoas, que nos acessem no mundo(!) todo). Imaginem! Uma coisa que começou para manter família e amigos avisados sobre nossas histórias, quase tem vida própria. Como dizemos quase todos os dias: isso tem que ir para o blog!

E, este texto é para dividir com vocês minha enorme frustração, pois, algumas histórias ficaram para trás, por conta de outras tantas que vão acontecendo. E, temos mais um exemplo neste final de semana. A experiência vivida durante este sábado e domingo foi tão intensa, que não consigo pensar em outra coisa para escrever... Estes dois posts mais abaixo saíram à "forceps"... Enfim, fico frustrado em não dividir com vocês várias histórias que passaram. Mas, saibam, que é sempre pela boa causa de contar sobre outras, que estão acontecendo.

Claro que o(s) próximo(s) post(s) será(ão) sobre a última experiência.

Beijos

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Alguns pormenores

Já falei sobre a "esticadinha" que demos na viagem que fizemos à Foz do Côa, num dos posts mais abaixo. Mas, ela aconteceu graças a uma operação "complexa"...

Pouco antes de "embarcarmos" para a parte baixa do vale, aonde estão as inscrições rupestres (motivo de nossa visita ao Côa), um dos personagens locais - o dono da loja anexa ao centro de recepção - nos disse a respeito de Miranda. Esta cidade, fica no extremo nordeste do país, e, dentre outras coisas, possui dois atrativos imperdíveis:
1 - A carne (realmente a melhor que comemos em todo o país, e diria na Europa!)
2 - Lá existem duas línguas oficiais: o português (claro) e o Mirandês (uma mistura de castelhano, português e algumas outras que não conheço)!

Depois disso, não precisou falar mais nada. Queríamos ir. Porém, precisávamos estender o aluguel do carro. Detalhe: estávamos numa aldeia cercada de montanhas, onde o celular mal pegava (mesmo se pegasse, não estávamos com o número da central de aluguel) e sem acesso à internet.
Contamos com a ajuda de nossa guia - a Cristina - que, mesmo atrasando todo o grupo de visitantes, ligou para o escritório de turismo de Vila Nova (a maior cidade da região), e pediu o telefone da locadora. Conseguimos! Agora, precisávamos fazer o celular funcionar... Tentamos de várias maneiras, em vários lugares. Lembrei, depois de todas as opções esgotadas, que no caminho de volta, existe uma capela no alto de uma colina - a mais alta da região. Pensei: se existe uma capela, existe um caminho para chegar.
Despedimo-nos da Cristina, e lá fomos nós. Pouco após a saída da aldeia (Castelo Melhor), vi uma entrada de terra, à beira da estrada. Apesar de não estar na direção do alto da colina e, portanto, da capela, entrei. Ainda bem! Porque, era ali mesmo. Depois de 2 Km, chegamos ao topo, à capela, à vista e, adivinhem, ao sinal de celular!!!
Primeiro, ligamos para a locadora: estendemos por mais um dia. Depois, curtimos a vista e, para marcar o momento e dividirmos com vocês, tiramos uma(s) foto(s). Lugar espetacular!!


Beijos

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O que é Natal?

A gente conta, mas tem quem desconfie... De qualquer jeito, temos mais um "causo" para agregar à nossa coleção de pessoas simpáticas a alegres daqui...

Hoje, voltando de Lisboa para casa, decidimos almoçar no Cais do Sodré, onde há um restaurante bom e barato. Entramos, escolhemos o prato (carne de vitela com cenoura - o nosso picadinho) e perguntei à Cláudia: que tal um vinho? Aceitou a sugestão, e lá fomos nós procurar uma mesa.

- Aqui está bom, sem muito vento.
- Perfeito!

Servi vinho para a Cláudia e, assim que acabei de colocar em minha taça, ouço ao nosso lado:

- Um brinde! Saúde!

Nem pensamos, erguemos nossas taças e:
- Um brinde!


Um casal de senhores, que acabavam também de servir-se com o vinho, foram os responsáveis pelo gesto.

Simpático? Muito mais que isso!

Minutos depois, com o almoço já acabado (nós e eles), o senhor levanta-se e vai até o interior do restaurante. Ela, ao contrário, veio até nós. E foi aí que soubemos um pouco da história deles: ela, viúva, namora com ele há 5 anos. Ele, poeta (e acho que viúvo), namora ela há cinco também... Os dois, mais de setenta anos!! E parecem um casal de jovens, trocando abraços e carinhos sinceros... Ela ainda nos confessou que, depois de vinte anos sem um companheiro, o filho dela - único, casado, 51 anos - quis conhecer o "Dom Juan". Segundo consta, aprovou...

O senhor retornou com o café que comprara. Trocamos mais algumas palavras e foram à mesa deles, bem ao lado. Tomaram o café e, assim que se levantaram para irem embora, vieram a nós e, mais que gentilmente, nos entregaram uma poesia. Detalhe: escrita à máquina de escrever (elétrica!), com trabalho de colagem ao lado.

Nos despedimos com mais do que votos de saúde e prosperidade!

Prova, mais uma, da força que temos dentro da gente... Afinal, nos é inerente o amor!


Eis a transcriação da poesia e, mais abaixo, a foto do presente:


"Um Nascimento que marcou a Humanidade

Três Reis,
Por celestial luz
Encantados,
Montaram em seus camelos e,
Divinalmente guiados,
A um modesto estábulo,
Chegaram e,
Ficaram maravilhados,
Tinha nascido um menino,
Cuja concepção
Rodeada de mistério
Divinal
Ficaria na história universal.
Nascera JESUS CRISTO!
Nascera o NATAL!
Menino que bem cedo na vida,
Falaria de sentimentos
Que naquela época
Não era habitual.
Pregou o AMOR AO PRÓXIMO!
A IGUALDADE! A JUSTIÇA!
O CULTA DA VERDADE!
A PUREZA NA HONESTIDADE!
Passados anos, séculos,
Ó ingrata humanidade!
Se fossem cumpridos
Tais preceitos sagrados,
Hoje!
Teríamos um mundo
De seres humanos iluminados!
JESUS CRISTO
DIRIA: MEUS ABENÇOADOS FADOS!!!


Júlio Viegas
Natal, 2010"


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Não tem muito a ver, mas achei legal...

O texto abaixo não tem nada a ver com o momento atual. Muito pelo contrário. Até o tema é excêntrico, dado o motivo deste blog. Então, por que colocá-lo?
É que estava fuçando meus arquivos e encontrei ele, escrito à época da Copa do mundo. Mostra um pouco da visão futebolística daqui, e o que isso pode causar num brasileiro (eu, no caso). Não publiquei, porque achei exatamente o que escrevi acima. Mas, como agora faz parte de uma seleção "vintage" (tá na moda o termo, não?!), quis dividir com vocês...

Beijos

"Sem título - em 18/06/2010
por Fabio

Desculpem meter minha colher onde não deveria, mas, não consigo ficar calado. Tenho acompanhando todos os jogos desta copa, e estou impressionado com o que está acontecendo! Os favoritos estão deixando os apostadores de cabelos-em-pé (e bolsos vazios)!!

Escrevo este texto, no momento em que a Inglaterra, berço deste esporte, acaba de empatar com a “temida” Argélia em 0 x 0. Hoje, pela manhã, tivemos a derrota da Alemanha para a Sérvia. Ontem, a França perdeu para o México. E assim por diante... E, como se não fosse suficiente, esta copa tem a pior média de gols de TODAS! O que está acontecendo??

Desde sempre (como meus amigos portugueses gostam de falar), camisa nunca ganhou jogo. O que ganha jogo tem nome e, às vezes, sobrenome: Gol, às vezes bonito. Exceto isso, nada mais (a não ser em torneios-início da várzea, onde o nº de escanteios também conta, em caso de empate...). Nós, brasileiros, mais “espertos” que os demais, fazemos (ou fazíamos) de tudo para golear. O que valia, ao final, era ter mais gols pró do que contra. Porém, em terras distantes, onde a ciência-tecnocrata existe antes da criação do mundo, o futebol-arte começou a ser dizimado, em nome da vitória-a-qualquer-custo. Por quê? Porquê não têm jogadores de futebol na mesma quantidade/qualidade que nós temos. Daí, para um “cientista-meia-boca” chegar à conclusão de que teriam que “inventar” um esquema-tático com uma defesa INTRANSPONÍVEL, foi um passo. Ou melhor, um estalo (mais rápido que um passo)! O resto, já é sabido: como tudo o que é de fora é melhor, TODOS os times/seleções começaram a copiar este “bendito” esquema (qualquer que seja ele: 4-4-2; 3-5-2; 4-2-2-2; dá até para jogar bingo com a família...).

Estas técnicas avançadas de “futebolização” já estão mais do que disseminadas. Quem não as conhece, é só correr para a banca mais próxima e comprar seu exemplar (autografado pelo autor - digitalmente, é claro). Todo mundo sabe qual a receita de bolo. E, portanto, todo mundo está fazendo a MESMA coisa! Virou um check-list: condição física dos atletas: ok; treino tático: ok; treino técnico: ok; preleção: ok. E assim por diante... Resultado: COLOCARAM OS JOGADORES DE FUTEBOL DENTRO DE UMA CAIXA. Se sair, não serve! É simples, tá no livro...

Mas, eis que surge uma luz!! Um clarão nesta noite, que dura mais do que deve... Em recente post em seu blog, Paulo Vinícius Coelho – o PVC - foi mais uma vez MUITO feliz ao lembrar que “o antídoto contra as fortes retrancas” é o drible!! Sim, ele, o drible! Primogênito do Futebol-arte! Como podia, eu, ter esquecido! É mais do que óbvio! As defesas estão preparadas para jogadas coletivas, algumas já conhecidas. Porém, não há como se preparar para o drible. Sua essência aniquila a tentativa de se defender! E deixa o jogo muito mais agradável de ser visto. Ou alguém prefere ficar adivinhando qual esquema tático daquele time, e o que o outro poderia alterar no seu para furá-lo?

Viva o Futebol-arte!! Obrigado PVC, por me lembrar que o drible ainda tem (e terá) espaço neste esporte! Só que precisamos divulgar isso o mais rápido possível, pois corremos o perigo de que os “cientistas-tecnocratas” se apoderem deste conhecimento, e comecem a fazer dinheiro com isso. Quanto a todo mundo copiar este “esquema”, não tenho preocupação. MUITO pelo contrário! Acho que o futebol-arte também não tem...

Abraços"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A placa

Dias atrás, rodamos por estradas nunca dantes rodadas. Por nós, claro. E conhecemos um pedacinho de Portugal que nos encantou demais! A famosa região de Tras-os-montes. Já ouviram falar, com ceteza! Estamos com saudades... A autenticidade, a singularidade, a paisagem, a receptividade, a história, o povo... Enfim, fomos "tocados" pela atmosfera do local. Ali devem estar guardados segredos que só os locais conhecem. Nós, os "turistas", nunca iremos saber... De onde vem a mágica fórmula para desnudar-se sem, contudo, mostrar tudo?
Uma imagem diz tudo. Respeito, compromisso? Talvez sim, talvez não... Estava lá. E deu vontade de dividir com vocês...

Beijos

domingo, 5 de dezembro de 2010

Voltando às origens

Esqueci de mencionar! E como poderia deixar de dizer que visitamos a cidade MAIS IMPORTANTE de Portugal, durante a viagem que descrevi no post abaixo?

Alguém adivinha qual é?

Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Guimarães, Bragança, Setúbal... Podem chutar quanto quiserem, mas, é estaticamente comprovado que para 180.000.000 de pessoas (+ ou -) a cidade de Belmonte é, disparada, a mais importante. Por quê?! Ali nasceu Pedro Álvares Cabral. Só isso... E descobrimos por acaso, num posto de informações (coisa feia, temos que admitir...). Mas, antes tarde do que nunca!

Estávamos voltando de Miranda (aquela cidade da MELHOR carne de TODO Portugal), quando decidimos passar pela Serra da Estrela. Para quem não sabe, ali existem estações de esqui e estava nevando bastante por lá... Fomos!

Como Miranda fica na fronteira de Portugal e Espanha, descemos pelas estradas de Castilla y Leon (a maior província espanhola, e terra de Dom Quixote) para ver se conseguíamos avistar alguns moinhos - e quem sabe conquistá-los! Mas, nada deles... Ao entrar novamente em Portugal, através de Vilar Formoso, já na região da Serra de Estrela, paramos no escritório de turismo - não sem antes reparar que ali, há poucos metros, ainda existe a estrutura da antiga fronteira (antes de Portugal e Espanha ingressarem na Comunidade europeia). Entramos no escritório e fomos atendidos por uma moça que, percebendo nossa brasilidade, sugeriu a cidade.

Chegamos lá em menos de 30 minutos. O centro antigo fica ao redor do Castelo que, por sua vez, fica no ponto mais alto da colina. A vila guarda surpresas, como uma sinagoga ativa e um bairro judeu de verdade (leia-se: até hoje os judeus vivem lá). Claro que existem várias menções ao Brasil, como escolas, ruas, praças. Tem até um museu contando como foi o "descobrimento" (não o visitamos). O Castelo, em ruínas, mas com sua parte externa preservada, tem em seu interior um anfiteatro construído há pouco tempo, mas, nos pareceu em perfeita harmonia com o local. Lá (no castelo) fica o posto de turismo, onde podem se informar sobre o que fazer na cidade e na Serra da Estrela. Dali, nos avisaram que as estradas no interior da Serra estavam fechadas devido à neve. Poderíamos seguir até Manteigas ou Penhas da Saúde, devendo retornar, pois não seria possível prosseguir.

Para encurtar a história, fomos para Manteigas e, na volta, pegamos uma nevasca! Era uma verdadeira parede branca à frente do carro, que não deixava acender os faróis (piorava muito!). O jeito, foi acender os faróis de neblina (ainda bem que o carro tinha!) e olhar para a faixa lateral... Mas, tudo bem. Se estou escrevendo isso, é que chegamos...

Antes de acabar, um detalhe histórico (para quem gosta): a família Cabral tem suas origens em Santarém. Mas, foi designada para cuidar do castelo de Belmonte por um rei (não sei qual). O Pedro nasceu lá e, quando morto, foi sepultado em Santarém (sua tumba está lá até hoje). Mas, suas cinzas já estão de volta ao Panteão da família que fica em Belmonte.




Estátua de Cabral, o Pedro - notem as bandeiras de Portugal (esquerda) e Brasil (direita)


Então, daqui para frente, vocês não podem dizer que não sabem qual é a principal cidade d'além mar... hehehe





Beijos

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ainda bem!

O que os homens faziam há mais de 20.000 anos atrás? Qual era o principal motivo da vida, além da sobrevivência, é claro... E nas horas vagas, com que se ocupavam? Pois foi isso que fomos saber durante esta semana, dentre outras coisas.

A Cláudia teve um encontro na Universidade do Porto e, para variar, aproveitamos para dar uma "esticadinha". Que ficaria só por um dia e acabou sendo por dois. Coisas de "xeretas" e, por que não, nosso presente de natal antecipado (ou parte dele...). E me dei conta que foi a nossa primeira viagem a sós! Caramba! Quase um ano depois...

Depois do encontro, já havíamos combinado de ir até Foz do Côa onde existem inscrições com mais de 20.000 anos!! Isso mesmo: em Portugal estão algumas das mais antigas manifestações do homem "moderno" (Homo sapiens - o que "somos" hoje). Dormimos no Porto e, logo pela manhã partimos (são mais de 4 horas de carro por estradas secundárias, além das paradas no meio). Chegamos ao local uma hora antes e, ali mesmo, ficamos sabendo de uma porção de coisas.

Inscrições em Foz do Côa - onde está o cavalo?



E nos indicaram uma outra cidade - Miranda - que fica no extremo Nordeste do país. E foi aí que a história aumentou: existem duas línguas oficiais por lá!! Repito: há, em Portugal, uma cidade com duas línguas oficiais. Sabiam? Nós já ouvimos falar, mas não sabíamos onde... Além disso, nos disseram - e depois comprovamos - que a carne de lá é uma das melhores do país (para mim é a melhor, DISPARADA, até agora!). Não tivemos dúvida: ligamos IMEDIATAMENTE para a locadora do carro e pedimos a extensão das diárias... Ainda bem!

Miranda: duas línguas...




Detalhes? Nos próximos posts.

Beijos

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Marinheiro só!

Uma das atrações em Lisboa é, sem dúvida, ouvir o fado.
E há inúmeros lugares - turísticos e os nem tanto - nos quais se pode ouvir-e-ver este estilo musical lusitano.
Dentre as várias teorias existentes sobre sua origem, a que nos parece mais convincente é a que data do século XVIII. O fado teria sido influenciado pela Modinha, outro gênero de composição portuguesa. Mas, somente em finais do século XIX é que o 'fado do marinheiro', um cancioneiro popular, passa a ser conhecido pelas ruas de Lisboa:

Fado do marinheiro

Perdido lá no mar alto
Um pobre navio andava;
Já sem bolacha e sem rumo
A fome a todos matava.

Deitaram a todos as sortes
A ver qual d'eles havia
Ser pelos outros matado
P'ró jantar daquele dia

Caiu a sorte maldita
No melhor moço que havia;
Ai como o triste chorava
Rezando à Virgem Maria.

Mas de repente o gageiro,
Vendo terra pela prôa,
Grita alegre pela gávea:
Terras , terras de Lisboa

De lá para cá, o fado cantado pelo e/ou pela fadista e acompanhado pela guitarra portuguesa ou tradicional, se configurou em um símbolo nacional, mas fundamentalmente, uma marca de Lisboa, Porto e Coimbra, lugares que têm estilos próprios de cantar-tocar o fado.

Eu e Fabio fomos umas quatro a cinco vezes em uma Tasca ouvir o fado e gostamos imenso! A tasca é uma espécie de "buteco" onde há uns poucos aperitivos e imperial (chope) ou cerveja bem gelada e outras bebidinhas, e, em geral, a partir das 21h, há pequenas apresentações de fado com gente de todo tipo - profissionais e amadores (incluindo aqui o público). Este tipo é conhecido como "Fado Vadio". Dá pra imaginar por quê?


Beijossss

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sempre dá certo

Ontem foi um belo dia. Belo, pois, vimos o sol (o frio e chuva já estão tomando a maior parte do tempo). Mas, ao final da tarde, tivemos uma "surpresa".

Mostrávamos o apartamento para uns amigos, quando, por descuido, fechamos a porta com a chave para dentro. Mas, e daí, diria um de vocês: basta abrí-la... Pois é, não é tão fácil assim...

Aqui, a maioria, se não todas as casas, possuem trancas. Isso mesmo: trancas! E, ainda por cima, nenhuma delas possui maçaneta (reparem na foto abaixo que há apenas o puxador do lado de fora). Ou seja, se a chave ficar para dentro, o chaveiro fica feliz! E como fica, pois, por um serviço desses cobram de 50 a 100 euros (depende do humor dele...).


E aí, o que fizemos?

Os amigos para quem estávamos mostrando o apartamento nos ajudaram a procurar um chaveiro (não tínhamos nenhum na nossa agenda. E mesmo se tivéssemos, não adiantaria: nossos telefones estavam dentro de casa...). Iniciamos a busca perguntando ao dono do café em frente: seu Fernando anotou num papel o telefone de um. Ligamos e, em resumo:


- Estou - atende o chaveiro.
- Boa noite. Por gentileza, o sr. poderia abrir uma porta agora?
- Ó pá. Agora não posso. Só amanhã...

E assim foi com mais um ou dois... Vendo nosso "desencanto", o seu Fernando disse que os Bombeiros fazem este tipo de serviço também. E, mais impressionante, nós mesmos poderíamos fazê-lo!

- Como assim?
- A porta está trancada ou só fechada? - perguntou ele.
- Só fechada.
- Então, com uma radiografia (chapa de raio-X), é possível abrir a porta.
- Ah! captei a ideia! É só colocar na fresta da porta e forçar o trinco! Valeu seu Fernando!

E, assim, a procura deixou de ser por um chaveiro: passou para um raio-X. Ligamos para o Antonio (nosso vizinho) que não lembrava se tinha. No veterinário, que ainda estava aberto, não havia. Nossos amigos, que vieram conhecer o apartamento, não tinham. O pessoal do café que frequentamos, também não... Nem na farmácia. Nenhuma clínica por perto. Nem ninguém... Foi aí, quando estávamos quase desiludidos, que nos liga a Alessandra (esposa do Antonio) dizendo que encontrou uma. Oba!

Pegamos e viemos tentar. Seguiram-se trinta minutos, e nada.

- Se fôssemos ladrões, morreríamos de fome - disse eu para a Cláudia

Com certeza devido ao barulho no hall, nossa vizinha de frente abre a porta e pergunta se precisamos de ajuda. Explicamos o que estava acontecendo. Tentou achar alguma solução também - até emprestou a chave - mas nada... Agradecemos. Continuamos tentando, ainda com o raio-X emprestado pela Alessandra (que na verdade era do Antonio). Foi quando a mesma vizinha abre a porta e oferece uma toalha americana de plástico (ou parte dela, pois havia cortado ao meio).

- Foi o que achei de mais próximo a um raio-X. Acho que dará certo...

Olhei para a Cláudia, que correspondeu. Acho que vai! E... foi!!! Depois de quase uma hora tentando (ou mais, não sei...) conseguimos abrir a porta.

Ligamos para todo mundo. A vizinha em frente ficou feliz. O Antonio e a Ale também. O pessoal do café, que havia emprestado até um cartão de crédito (vencido) para tentarmos forçar a porta, também ficou.

E hoje pela manhã, depois da "tiração de sarro" (óbvio), soubemos que o Antonio vai precisar da radiografia dele. Mas nós (vocês incluídos), já sabemos que não terá retorno. Tomara que ele não fique muito bravo... rrssssss

Beijos


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Metade de meia é...

Todos os nossos “hóspedes” conheceram Lisboa. Quer dizer, quase todos... Mas, a maioria não se arrependeu de deixar-se levar pelas ruas, avenidas, lugares e cafés que íamos apresentando, em meio à conversa farta e descompromissada. Em nosso último giro “turístico” pela cidade, fomos até o Castelo de São Jorge para “apresentá-lo” à Márcia, pois ela não poderia voltar sem conhecê-lo. Como fizemos com a Camila e o Thiago, deixamos ela curtir tranquila o interior das muralhas “mais que medievais” e ficamos aguardando ao lado de fora.

É claro que não ficamos “plantados” no portão. Ficamos vagando, sem direção, por entre as ruazinhas estreitas e sinuosas do bairro. Sempre atentos aos mínimos detalhes, notamos que naquela região existem muitos passarinhos em gaiola. Geralmente periquitos. Em um lugar ou outro encontramos gatos e pombos (toda a Europa que conhecemos é povoada por gatos e pombos). Mas, antropológica mesmo, é a experiência dos varais – e escrevo isso pensando na Rosaura. Ah! os varais. Aqui em Portugal, e na Itália (exceção à algumas cidades grandes), os varais fazem parte do dia-a-dia. Imaginem no Brasil, em qualquer centro de cidade, ter à altura dos olhos as roupas de alguém estendidas na janela!? Peças íntimas incluídas!! O costume é esse nestas bandas...

E foi assim que, entre os passarinhos engaiolados e gatos ariscos, a Cláudia percebeu uma preciosidade. Raríssima! Um mini-varal, parecendo "meio" improvisado, exibia um lindo par de meias. Rotas!!!

Já havia avançado mais que ela. Alcancei o final da rua quando, lá de trás, ouço: - Sorry! A voz era da Cláudia... Sorry?? Não entendi...

Ela me explicou minutos depois:

- Poxa, bem na hora, o cara abre a porta.
- Que hora?
- Eu liguei a máquina, fiquei acertando o ângulo e quando apertei o botão, ele abriu. Fui pega em flagrante: estava tirando a foto da meia! Ficou horrível!
- Deixa ver, disse eu. Ah! Vai para o blog!!

E assim foi... E assim veio...

A foto, de meia-meia (entenderam?!) e do dono “intrometido” está aí...


domingo, 21 de novembro de 2010

A foto diz tudo

Quase no final da estadia da Márcia, fizemos alguns encontros com a Alessandra e o Antonio. Acho que dois foram na casa deles. E um, o último, foi em casa. Mas, nesta oportunidade, só as mulheres se divertiram... Não sei por que.



Brincadeiras à parte, todos nos divertimos. E muito!
Os dois (a Ale e o Antonio) são pessoas maravilhosas. Agradecemos muito a eles estarem sempre ao nosso lado.

Beijos

Uma quase epopeia


Nem sei por onde começar... Tivemos tantos episódios nesta viagem com a Márcia que estou até agora "embaralhado" nas ideias. Talvez, começar pelo que mais me impressionou. Vou tentar...


Para variar, este que vos escreve estava de "bagagem" (mala, não!!) na viagem da Cláudia e da Márcia. O objetivo principal era o congresso em Málaga, Espanha. Estava agendada desde o primeiro semestre e, talvez por isso, não demos (ou eu não dei) tanta importância para o local/região. Verdade é que, como de costume, alugamos um carro para poder ter um pouco mais de liberdade. Dias antes, num encontro da Cláudia com seu co-orientador (o orientador aqui em Portugal), soube que seria "uma pena", já que estaríamos na Andalucia (Espanha), não passarmos por Córdoba e Granada. Além disso, poderíamos também ir à Mérida (Extremadura), uma cidade "mais romana que Roma". Adivinhem o que fizemos? Conhecemos todas (e mais algumas)...
Antes de Málaga, conhecemos Mérida e Córdoba. Cidades fantásticas, que eu gostaria de ir novamente. Em Mérida pode-se conhecer as ruínas do "Coliseu" e do teatro romano, ambas na mesma área - os romanos eram organizados! O Coliseu está praticamente, em ruínas. Mas o teatro é impressionante: pode ser usado a qualquer momento!

Teatro romano em Mérida - dá para ver a gente?


Já em Córdoba, dormimos no pior albergue da juventude que conhecemos em todas as nossas andanças. Mas, havia algo de bom: localização. Estava no meio do antigo bairro judeu (a Judiaria), com suas ruas "tortas", becos estreitos e sem saída. Enfim, visitamos várias vezes o mesmo lugar (mesmo sem querer fazer isso, pois nos perdíamos de vez em quando...). Para compensar, a Mesquita-Catedral estava a dois quarteirões. Não consigo, por mais que tente, descrever o que é aquilo! Basta, apenas, descrever um "acontecido": no seio da Mesquita, majestosa com seus mais de 800 arcos bi-colores, foi construída uma igreja. Resultado? Uma herança arquitetônica, antropológica e religiosa magnífica!

Mesquita-catedral de Córdoba - seus arcos bi-colores


Quanto à Málaga, não posso deixar meu fervoroso testemunho quanto ao seu passado: os prédios históricos foram deixados de lado em favor do evento (sim, participei do congresso também!). Existe uma Alcázaba (forte) no ponto mais alto da cidade que pode ser visitada, além da Catedral e outros pontos que devo desconhecer. O que posso dizer é que conhecemos o museu Picasso (Málaga é a cidade natal dele), e gostei do que vi (não sou nenhum crítico de arte. Nem quero ser...). A praia mais perto do centro lembra muito as nossas: faixa de areia extensa, com várias barraquinhas na areia, árvores. Um local que gostei muito foi o jardim (praticamente botânico, dada a variedade de espécies) próximo ao centro da cidade: é enorme! De qualquer forma, tive a sensação de que Málaga guarda seu passado com muito "carinho", mas, por outro lado, é uma cidade MUITO "para frente". Gostei.


Não sei se por obra do acaso. Fato é que o mais impressionante da viagem (pelo menos para mim), ocorreu no final. E foi em Granada. E foi na La Alhambra (que significa a Vermelha). É um complexo palaciano, que encerra uma constelação de locais interessantes. Como, por exemplo, o Palácio Carlos V e, a jóia da coroa (na minha opinião), o Palácio Nazaries. Este é fruto da arquitetura islâmica, e ostenta todos os meticulosos detalhes dos ornamentos nas paredes, nas janelas, nos jardins... Poderia-se perder todo o dia neste complexo, mas, por normas da mantenedora, o ingresso vale apenas para meio período: manhã ou tarde. Ah! detalhe: tem hora para se entrar no Palácio Nazaries. Ela vem escrita no ingresso e, se deixar passar, não entra!!

É, simplesmente, fantástico!!


Palácio Nazaries - Jardim interno



Beijos

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Resumo dos últimos acontecimentos - XXII

O silêncio do blog evidencia que estávamos fora. E não só fora de casa, como fora do país... Como adiantou a Cláudia no post abaixo, fizemos uma "incursão" pela península Ibérica para, em Málaga, participar d'um congresso sobre Educação.

Saímos de casa com 2 dias de antecedência ao início do congresso - estávamos de carro. É claro que já havíamos planejado uma rota "totalmente alternativa" para irmos ao ponto "final": passamos por Elvas (ainda em Portugal), Mérida e, depois, Córdoba. Chegamos no domingo à Málaga, cidade natal do Picasso e, por que não mencionar, do Antonio Banderas... Ah! e da pimenta malagueta, claro... Acabado o congresso, na quarta-feira rumamos à Granada e também aproveitamos para ver neve na Sierra Nevada. Voltamos direto para casa, parando apenas em Monsaraz (já em Portugal).

E cada vez mais me convenço de que, apesar das grandes cidades terem seu glamour e pontos de interesse (exemplo: Roma, Veneza, Barcelona, Paris etc...) o grande "barato" da Europa são as cidades pequenas, as vilas medievais, os caminhos estreitos. Locais onde o comércio-a-qualquer-preço não chegou (nem chegará). Onde as ordas de turistas-descompromissados (aqueles que jogam lixo na rua e cospem na calçada) nem sequer ouviram falar. Nem querem...

As muralhas-fortalezas que ainda circundam o centro histórico destes locais, onde moram os nativos, são, além de charmosas, um símbolo de resistência contra o mundo do "faça-tudo-rápido-e-compre-qualquer-coisa". Ainda bem!!

Não percam os próximos capítulos...

Beijos

domingo, 7 de novembro de 2010

Uma fotografia e nada mais

Para aqueles que 'ainda' não sabem, estamos nós - eu, Fabio e Márcia (nossa hóspede) - em viagem desde a última sexta-feira. Saímos de Carcavelos em direção a Málaga, na Espanha. A razão da viagem é minha participação em um congresso...


Mas, o motivo deste post é outro!


Estávamos nós, na histórica cidade de Mérida (já na Espanha), onde ficamos por uma noite. Passeávamos pelas ruas do centro histórico e nos surpreendíamos com tantas paisagens a ver sendo, a cada passo, envolvidos pelas marcas 'romanas' naquele lugar.


Em uma delas, paramos para admirar e... fotografar!


De repente, acontece uma cena inusitada: Fabio admirava, Márcia fotogravafa e eu testava diferentes jeitos de fotografar tudo aquilo. Em meio a isto, chega um grupo com uma guia turística e "nós" ainda insistimos e ficamos um pouco mais.


Termino de fotografar e dando alguns passos (de costas) para trás em direção ao Fabio e à Márcia, paro e mostro minhas tentativas frustradas, mas destacando que a última parecia-me um pouco melhor. Ambos se aproximam, abaixam, olham e me respondem em espanhol que a foto estava boa. Isso mesmo, em espanhol!



(esta é a foto!)



Eu, estranhando a voz, olho para 'os dois' e descubro que não eram Fabio e Márcia: era um casal do grupo de turistas!

Olho ao redor e vejo os dois - Fabio e Márcia -, afastando-se rapidamente da cena e simplesmente morrendo de rir.

Peço desculpas, afasto-me, ouço o casal rir e vejo Fabio e Márcia passando mal de tanto rirem...

Imaginem a cena!

Rimos o resto da noite desta história!

... quem quiser aumentar um ponto, que conte outro conto.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vamos à bola?

Quem conhece a mim (Fabio), sabe que minha preferência esportiva não é o futebol... Mas, confesso que estou mais "antenado" neste esporte - não fanático, é claro! E, no começo desta semana, fui gentilmente convidado pela Inez - uma amiga que fizemos por cá, "trazida" pelos mesmos propósitos da Cláudia - para acompanhar seu filho a um jogo de futebol. Mas não era qualquer jogo. Tratava-se de um encontro da UEFA Champions League! É claro que aceitei!

No dia 02/11, encontrei com o Pedro, e lá fomos nós ao estádio... Assentos marcados, filas organizadas, sem nenhum problema. O estádio parecia vazio. Parecia, pois, como os torcedores do Benfica (mais fanáticos que corintianos) se vestem de vermelho e as cadeiras são vermelhas, a impressão era que estava com espaço sobrando...

Tomamos consciência da quantidade de pessoas quando começou o espetáculo que, no caso do Benfica, inicia-se pouco antes do jogo: uma águia (símbolo do clube) sobrevoa toda a arquibancada, até aterrisar, majestosa, próxima ao centro do campo. Incrível! Todos se levantam e, por onde ela passa, batem palmas, criando um efeito sonoro "3D" em todo o estádio. Dá para acompanhá-la de olhos fechados!

Pois bem, começou o jogo. Atrás de nós, estava uma família inteira, com o "vovô" sendo o "chefe da torcida". Foi engraçado ouví-lo "xingar" o juíz de "vaca mimosa" e, depois que soube que éramos brasileiros, mandar um sonoro: "Boi-Tatá do Sítio do Pica-pau Amarelo"! Um senhor muito simpático, que depois se desculpou pelos "xingos", dizendo que o "benfiquismo" era aquilo mesmo: vale tudo para apoiar o time...

Intervalo do jogo. Placar: Benfica 3 x 0 Lyon. Até aqui, era uma festa.

Um detalhe interessante era o comportamento da torcida: é bem mais "tranquila". Tem até animador, para não deixar os ânimos esfriarem!

Começou o 2º tempo e, em seguida, fizeram 4 x 0. A torcida estava toda alegre! Eu, que já assistira a um jogo do Benfica (+ou- em abril), estava vendo o mesmo filme: naquela data eles fizeram também 4 x 0! Foi contra o Herta Berlim - pela Taça Europa (espécie de 2ª divisão da Champions League). Já estava pensando em negociar meu "passe" de torcedor, pois estaticamente, minha presença garante 4 gols ao Benfica, com 100% de probabilidade...
Mas, eis que o destino garantiu outros 3 gols. Mas, para o Lyon... Quase viraram!

Saímos um pouco antes do apito final. Eu e Pedro estávamos felizes: fomos a um belo jogo de bola, num belo estádio, tudo organizado e, acima de tudo, sem violência (ao nosso lado ficaram duas torcedoras do Lyon e todo mundo respeitava-as!). Ah, se fosse assim no Brasil. Quem sabe, na copa, né?!

Beijos