quarta-feira, 31 de março de 2010

Um ilustre acontecimento!

Ontem vivi um verdadeiro acontecimento!
O encontro com o professor António Nóvoa!
Para quem não é da área e, portanto, não o conhece, ele é uma das referências européias e mesmo mundiais que tem se debruçado sobre o tema da formação de professores.
Quando cheguei em Lisboa, uma de minhas metas era ter a oportunidade de uma conversa com ele, mesmo que fosse por e-mail.
No Instituto de Educação, descobrimos que ele é atualmente o reitor da Universidade de Lisboa o que nos desanimou inicialmente, desencorajadas inclusive por várias pessoas quando comentávamos dele.
Entretanto, estando aqui, eu e minha amiga Adriana tivemos acesso a muitas produções dele que não conhecíamos no Brasil e nos deixou ainda com mais vontade de poder dialogar com ele.
Decidimos então ir até a reitoria e tentar descobrir o e-mail 'do cara'. Lá fomos, nem nos deixaram entrar, mas, por telefone da portaria, conseguimos falar com a secretária dele que nos deu o e-mail 'do reitor' para que enviássemos uma mensagem para ele.
Imaginando que teríamos que enviar várias mensagens, escrevemos a primeira nos apresentando, dizendo de nosso doutoramento intercalar na Universidade e blá-blá-blá.
Qual não foi nossa surpresa que, nos mesmo dia, 'o cara' não só respondeu ao nosso e-mail como também disponibilizou-se a nos atender no gabinete da reitoria alguns dias depois.
Ficamos emocionadas! (e nossos professores orientadores do Brasil também!!)
E ontem, foi o dia "D".
E foi simplesmente M A R A V I L H O S O!!
Ele não só nos atendeu, ouviu, deu-nos um livro autografado, sugeriu leituras, colocou-nos em contato com pessoas, fez apontamentos que nos fizeram pensar sobre o tema de nossas pesquisas, se propôs a conversar novamente (demais!!), e tudo isto sem (ab)usar do lugar de poder como reitor. Foi verdadeiramente um grande acontecimento!
E eu, estou animadíssima com as interlocuções e com tudo o que ele provocou em minhas ideias.
E, ainda, tenho prova disto tudo logo abaixo! (risos)


Por Cláudia

segunda-feira, 22 de março de 2010

Luzes, câmera, ação... Corta!!!!

Nunca havia entrando numa sala de cinema fora do Brasil. Também, pudera! Se o fizesse seria por duas razões: ou estaria com tempo de sobra durante a viagem (coisa improvável, pois tempo é igual a dinheiro nestes casos); ou estaria morando no local. Como, agora, nos encaixamos na 2º opção, decidimos "pegar" uma sessão.

Escolhemos um filme tipo "sessão da tarde", ou seja, não queríamos pensar muito, e gostaríamos de dar boas risadas. Assim o foi até o meio do filme, quando, no clímax de uma das cenas, a luz apagou... Escuridão total! Já estava imaginando as luzes de segurança acesas, nós saindo do cinema e pegando ingresso para assistir outra sessão. Mas, eis que, após alguns segundos, acendem-se as luzes da sala. Ufa!! O filme vai continuar! Oba! Ledo engano... Ao voltar a atenção à tela, encontramos a seguinte palavra: I N T E R V A L O. Isso mesmo, caro leitor: i n t e r v a l o!!!

Confesso que não aguentei e caí na gargalhada. Ao meu lado, a Cláudia dava risada de mim... Não esperava por isso, num filme que não tem nem 2 horas de duração. Imaginem se fôssemos assistir a Benhur ou os 10 mandamentos. Precisaríamos de 2 dias!

Agora que já sabemos, quando formos assistir a um filme longo, avisaremos todos vocês, pois, provavelmente, ficaremos incomunicáveis por algum tempo...

Beijos

Federer, só faltam duas

Como disse em um post anterior, havia passado na 1ª seletiva para ser juíz de linha do torneio de tenis de Estoril (http://www.estorilopen.net/), que terá a presença de Roger Federer (o maior tenista de todos). Faltavam ainda 3 seletivas. Pois agora, faltam só duas, pois passei na 2ª!!!!
Ficamos nesta último sábado e domingo "apitando" o torneio da Taça Iberia. Este campeonato é aberto apenas a "veteranos" (acima de 35 já são considerados...). Foi sensacional ver que pessoas com mais de 70 anos ainda batem um bolão!! Eu iria ter trabalho se jogasse com alguns deles... Outra disputa que nunca havia visto foi de duplas mista (dupla formada por um homem e uma mulher): eu imaginava que as mulheres teriam problema contra os homens, mas não aquelas que estavam jogando. Não sei se ganharia delas... Jogam pra caramba!! Os homens é que estavam com dificuldades... hehehe
Outra curiosidade, foi um jogo, dentro de um torneio chamado "Taça Iberia", entre um Uruguaio e um Nigeriano! Não bastasse isso, ainda havia outro pormenor: o nigerino levou seus 10 filhos para assistir (isso mesmo: DEZ filhos)!!!! A esposa (assumindo a monogamia) não foi. Acho que estava na quarentena... (ela não deve sair disso, né?!). Darwin diria: viva a diversidade!
Enquanto aguardo a próxima seletiva, vou "afiando" meu inglês: Federer, I'm coming!!!!
caricatura de Roger Federer disponível em: http://karikamania.no.sapo.pt acessado em 22 março 2010
Beijos

domingo, 21 de março de 2010

Ah, a Primavera!

Ontem, 20 de março às 17h32!, teve início a Primavera no hemisfério norte.

Ao sair para caminhar hoje pela manhã, observei que a natureza já anuncia as belezas que virão e as que estão a se revelar!



Na próxima semana, exatamente no sábado, dia 28 de março, também inicia-se aqui em Portugal o horário de verão. Isto significa que de março a outubro, quando voltamos ao horário 'normal', a diferença de fuso horário em relação ao estado de São Paulo no Brasil, será de 4 horas (a gente na frente, é claro! rs).

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sobre a experiência na Escola da Ponte...

Muitos sabem que um de meus objetivos com a vinda para Portugal era fazer uma visita à "Escola da Ponte".
A "Escola Básica Integrada São Tomé de Negrelos", conhecida como "Escola da Ponte", faz parte da rede pública, atende o Ensino Fundamental e fica na freguesia de Vila das Aves, que fica no distrito do Porto, no norte de Portugal.
É uma das escolas mais famosas do mundo por ter, desde a década de 70, um projeto pedagógico diferenciado que, fundamentalmente, tem uma prática que evidencia o respeito a cada sujeito em seu processo de desenvolvimento e uma comunidade de pais ativa e participante do funcionamento da escola.
Pois bem, depois de alguns contatos por e-mail, consegui enviando um pequeno projeto, mais do que uma visita, realizar estágio por uma semana, com foco para as questões voltadas para a formação docente.
Lá fomos, eu e Adriana, para o tão esperado momento!
Chegamos lá na segunda-feira (15/03), às 8h30 da manhã - horário de entrada do 'miúdos'. Ao chegar, embora tudo tivesse programado, a pessoa que nos receberia não estava e então fomos recepcionadas como visitantes. Todo visitante é apresentado à escola pelos próprios alunos: a Juliana (7 anos) e o Jorge (9) cumpriram este papel (há uma listagem de atendimento ao visitante: duplas de alunos - um mais novo e outro mais velho de tempo de escola - se inscrevem e naquele dia eles atendem as visitas...).
Ficamos deliciadas e maravilhadas com o modo como as crianças nos apresentaram a escola: a proposta, os espaços, a dinâmica, as responsabilidades!
A seguir, a Inês e a Susana (14 e 15 anos respectivamente) nos apresentaram o 3º ciclo (corresponde às nossas 6ª a 7ª série/7º ao 9º ano).
A emoção tomou conta da gente!!
Para quem olha o espaço físico... é carente de recursos, de verde, de espaço para o brincar... porém, há uma profundidade tamanha nas ações que acontecem em cada espaço de aprendizagem. Coisas pra pensar diante de nossos cotidianos escolares no Brasil. E coisas pra 'provocar' a "Ponte".
E, ao final do dia, um encontro com a Ana, a coordenadora geral/diretora em que pudemos compreender um pouco mais o funcionamento da escola e dialogar sobre como pensar a formação docente naquele contexto.
No outro dia... lá estávamos animadas, agora para acompanhar um dia em sala de aula! Foi muito interessante conhecer bem de perto o trabalho e visualizar muito do que temos em nossas salas em Campinas e, ao mesmo tempo, algumas profundas diferenças na autonomia da crianças frente às demandas para o trabalho do dia. Ficamos um período todo e eu, acompanhando a turma de 6/7/8 anos (lá as crianças/adolescentes são divididos em três núcleos: iniciação [1º a 3º anos], consolidação [4º a 6º anos] e aprofundamento [7º a 9º ano]).
A outra vivência seria participar de uma tarde de reunião de professores, tal como havíamos planejado com a Ana no início da semana, porém, na hora "H" não fomos autorizadas a participar...
Por quê?
Também não entendemos...
Talvez tenhamos que considerar que lá é, também, uma escola como as nossas, com suas potencialidades e seus limites.
Depois disto, decidimos abortar a missão, pois por mais interessante que era estar lá, o motivo que nos levou até lá naquele momento era poder estar com os professores, participar da reunião já que nossa intenção era refletir sobre a formação de professores, foco de nossa pesquisa.
Entretanto... valeu demais!!


Quer saber mais?
Visite www.eb1-ponte-n1.rcts.pt/html2/portug/local/bemvindo.htm e veja o álbum de fotos aqui no blog.

(Postado por Cláudia)

terça-feira, 16 de março de 2010

Assim falava minha avó...


Um pouco de historia e conhecimentos gerais não faz mal a ninguém... Principalmente quando se “entra” na história. Aconteceu conosco (eu, Cláudia e a Adriana), quando fomos à Guimarães, cidade onde nasceu Portugal.


O primeiro objetivo da viagem não era Guimarães e sim Vila das Aves, local onde se encontra a escola da Ponte. Guimarães tornou-se destino "intermezzo" já que uma pessoa amiga da Adriana mora lá e ofereceu sua residência como “abrigo”. Pois bem, assim foi... Como estudantes, convictos e inveterados, fomos de ônibus - metade do preço em relação ao trem! Embarcamos no domingo às 9h e seguimos até Porto e, de lá, para nosso destino final. Chegamos às 13h e fomos comer, antes de anunciar nossa presença. Barrigas devidamente alimentadas, ligamos para nosso contato que disse ir até nós para nos pegar. Encostou o carro, a Dri abriu a porta da frente e entrou, a Cláudia abriu a porta de trás e entrou e eu, com 1 milhão de malas, pedi para abrir o porta-malas. Em seguida, antes de abri-lo, veio a pergunta: esse “moço” também vai? Quem é? Não sabia disso... Como assim? Meu Deus! Só preparei a cama para 2 pessoas, e no mesmo quarto! Meus filhos estão casa, meus netos também estão, como assim??????


Pois é, PONTO DE INTERROGAÇÃO GERAL!!!!!!



Indo para a casa de nossa anfitriã (quer dizer, anfitriã da Dri e da Cláudia) só se ouvia uma voz dentro do carro, e eu, como minha finada avó dizia, estava me fingindo de morto – imagine ter de pagar hotel, com orçamento já apertado... Demorou uns 30 minutos, mas a poeira abaixou.
Depois de tentarmos entender o que ocorreu, descobrimos que não informamos que eu iria, ou seja, eu realmente era um PENETRA!!! Mas, não me sentia um, é claro... Mesmo assim, apesar do susto inicial, nossa anfitriã nos recebeu de braços abertos, com uma generosidade imensa. A ela, gostaria de agradecer pela estadia EXCELENTE e, óbvio, pela história para contar.


Vou acabar por aqui, pois tenho que ir ao banco. Neste mês, quero antecipar o pagamento do aluguel. Chega de sustos...


Beijos

sexta-feira, 12 de março de 2010

As novas pra contar... nem tão boas!

Morar em um outro país, conviver com outra cultura é algo - para mim - muito estimulante! Sinto-me com vontade de explorar cada coisa, de conhecer o que não é o comercial e convencional, comer naquele lugar x ou y, conhecer a arte local, conversar com as pessoas nativas em um café (nos centenas de cafés que existem 'cá'), caminhar pelas ruas, sentir os cheiros, degustar as comidas típicas... enfim, viver intensamente a experiência de estar estrangeira neste lugar.
Entretanto, batalhamos também com os imprevistos e/ou com os previstos de outro modo que não aquele que planejamos.
Há a saudade, que amenizamos com o Skype.
Há a vontade de comer determinadas comidas 'de casa', mas que também amenizamos procurando algo parecido...
Há a vontade de beijar e abraçar a família -pais, irmãs, cunhados, os sobrinhos, a sobrinha - e os amigos queridos. Esta ficamos na vontade.
Há vontade de ir à minha manicure/pedicure e à minha depiladora tal como na vida no Brasil, mas contorno com meus próprios dotes (imaginem só!!).
Há ainda, momentos de dúvida sobre que decisão tomar e o que fazer diante de situações-conflito como as duas que vivemos - eu e Fabio - nesta semana:
- a primeira (já contada pelo Fabio no texto anterior), a descoberta de que tenho que pagar o que chamam "propina" na Universidade para que minha inscrição se efetive e eu, de fato, seja uma aluna de doutoramento intercalar no programa de Doutoramento daqui: pagamos? não pagamos? tentamos negociar? pedimos ajuda "aos universitários"? ignoramos a história já que não sabíamos da existência disto?;
- a segunda, a descoberta que o SNS - Sistema Nacional de Saúde - daqui (equivalente ao nosso INSS no Brasil) não faz nenhum tipo de atendimento de estomatologista (o que no Brasil chamamos "dentista") em um dia que acordo com dor no dente e preciso ser atendida de urgência: acionamos o seguro? ligamos para o dentista no Brasil para saber se há alguém pra indicar aqui? batemos à porta de algum profissional? pedimos ajuda "aos universitários"?
Felizmente, depois que passa a situação podemos contar que solução demos, pois, em geral, já a resolvemos. Mas... até que passe, há sofrimento, dor, vontade de querer 'pular' esta parte...
Sobre a propina? Aguardemos as cenas descritas nos próximos textos...
Sobre o estomatologista? Por indicação de um amigo que fizemos aqui, fomos à dentista da esposa dele, na freguesia vizinha à nossa - Oeiras. A dentista é brasileira, fez um excelente atendimento, medicou-me e pagamos 20 EUR - e agora já estou com bem menos dor.

(Postado por Cláudia)

domingo, 7 de março de 2010

As últimas para contar...

Essa semana esteve recheada de emoções para nós dois. Tivemos de tomar várias decisões para nossos próximos passos. Mas, são boas as novas!

Para começar, havíamos marcado uma viagem para Madrid, que faríamos de carro, pois, ficaria mais barato que avião (repartiríamos em 5 pessoas). O planejamento estava pronto: de Lisboa à Mérida, dormiríamos, e de lá para Madrid - claro que surgiriam desvios ao longo do caminho... Porém, e essa foi uma das decisões importantes da semana, tivemos de abortar. Razão? A bolsa de estudo não cobre pagamento de matrícula na universidade e, pasmem, apesar de "pública", é cobrada... Não nos fará "morrer de fome", mas, não podemos arriscar: nossa vida agora é em Euros...

A outra é melhor. Por ocasião da compra de ingressos para o Estoril open (vejam postagem anterior neste blog), havia feito minha inscrição para ser juíz-de-linha. Até aí, tudo bem, pois, o "não" eu já tinha... Acontece que, me chamaram para participar do curso de preparação neste final de semana (ontem e hoje). Passamos por aulas teórica, comportamental, gestual e prática, e adivinhem!? Fui selecionado!!! Dentre 60 inscritos, passaram 18 (eu dentre eles), que agora irão "apitar" 3 campeonatos secundários para, depois, serem selecionados apenas 6. Pensaram se for selecionado? Mais ainda: já pensaram se "apitar" um jogo do Federer? Ou do Blake? Ou do Davidenko? SERÁ SENSACIONAL!! Vou pedir autógrafo.. (brincadeira, somos proibidos de fazer qualquer contato com eles). Mas, estarei DENTRO DA QUADRA! Já é alguma coisa... Por enquanto é isso. Outras novas e colocaremos aqui.

Enquanto isso, vou trocar meus óculos, pois vá que chame uma bola errada...

Beijos!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Descobrindo Portugal


Nem só de estudo e trabalho se faz um país! Ainda bem! E nós que também somos filhos D'Ele, aproveitamos um lindo dia de sol (sim, ele ainda existe) para conhecer um pouco mais de Portugal. De que adiantaria voltar para o Brasil sem histórias? Que coisa mais sem-graça!!! Dessa vez, fomos parar na época dos templários, com suas igrejas e memoriais arquitetonicamente impressionantes e maravilhosos.

Saímos de Lisboa com destino à Fátima, nós e um casal de amigos. No meio do caminho, e aproveitando que estávamos de carro, desviamos para Alcobaça, local onde estão as tumbas de D. Pedro (não é o nosso - esse viveu nos idos de 1350) e Dna. Inês de Castro, protagonistas de uma fantástica história de amor. Deste pequeno desvio de rota, surgiram mais dois, já que de Alcobaça à Fátima, podemos passar por Batalha e Tomar no caminho. A vila de Batalha foi fundada por D João I no séc 14 para comemorar a expulsão definitiva dos Castelhanos, e conta com a impressionante igreja de Nsa Senhora da Vitória e mosteiro da Batalha, cuja arquitetura é de "cair o queixo". Já a cidade de Tomar foi nomeada patrimonio histórico da humanidade: as terras que a compõe foram doadas à ordem dos Cavaleiros Templários por volta do ano 1.100 de nossa era. O então Grão-Mestre da ordem deu início a construção do Castelo e do Convento, que viriam a ser a sede dos Cavaleiros Templários em Portugal. Imaginem os monumentos que existem por lá! Só um problema: chegamos lá no fim da tarde, e tudo já estava fechado... Pelo menos, tiramos uma foto do castelo (do lado de fora, é claro).

Vou descarregar as fotos e ficar esperando pelo Sol novamente. Assim que ele aparecer, prometo voltar a Tomar (e tirar fotos de dentro do castelo...)

Beijos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sobre o motivo que nos trouxe até aqui...

Realizar um estágio de 'doutoramento' na Universidade de Lisboa é o que me mobilizou a deixar o Brasil - a família, os amigos e nossa casa - por um ano.

"Mas, por quê você escolheu vir para cá?", foi a pergunta que ouvi de uma brasileira que nos atendeu em um café em Lisboa, ao responder à pergunta se tínhamos vindo a turismo ou trabalho. Respondi: para estudo.

A Universidade Portuguesa tem sua origem datada em 1288 e até 1537 a sede variou entre estabelecer-se em Lisboa e em Coimbra. A partir de 1537, transferiu-se definitivamente para Coimbra. Somente em 1980 foi criada a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, em Lisboa. Em 2009/2010 (o ano letivo nas universidades européias inicia-se em setembro e encerra em junho) foi criado o Instituto de Educação, tornando-se nova unidade orgânica de ensino e investigação (se quiser conhecer mais, acesse http://www.ie.ul.pt/).

Com pouco tempo de história como Ciência/Instituto de Educação, mas com muita história de formação docente ao longo de séculos de existência, na Universidade de Lisboa encontra-se um grupo de pesquisadores que investiga a formação de professores - meu foco de estudo - e tem uma relevante produção científica na perspectiva de formação articulada com a escola.

É esta a razão que me fez vir até aqui.

Além do mais, a experiência de viver em outro país, conviver com outra cultura, dialogar com outras/novas pessoas e aprender/experienciar para ampliar meu repertório cultural, são outras motivações que vieram junto.

Precisa de algo mais?

(este foi postado por Cláudia!)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Domingo é dia de...

Pois é, domingo é dia de... Recolher a roupa que estava (ou está ainda) molhada da chuva de ontem. De desmarcar visita à Sintra, porque a chuva não dá trégua. De ficar olhando para o céu, e ver se dá para sair um pouco de casa. Enfim, domingo é dia de esperar. Ou pelo final da chuva (não aguento mais), ou pela segunda-feira, que já bate à porta.

Porém, vi surgir uma luz no final da manhã. E essa luz era do Sol! Do Sol!!! Ele ainda está lá! Será que dá para arriscar? Dividi a dúvida com a Cláudia, e decidimos dar uma volta. O destino já havia sido combinado: Mosteiro dos Jerónimos. Trata-se de uma das mais espetaculares edificações de Portugal, com mais de 500 anos de história, e ponto maior da arquitetura manuelina. É esplêndido. Valeu a visita.

Já do lado de fora, sentados em frente ao prédio, comendo um sandwich de fiambre (presunto para eles) e queijo, procuramos no guia pelos pastéis de Belém. Nem precisava procurar: fica ao lado, cerca de 100 metros. Pois lá fomos e provamo-os. Confesso que não fiquei tão impressionando assim, já que a receita original é o segredo mais bem guardado de Portugal. Esperava mais. Mas, isso foi a minha impressão (a Cláudia gostou, com açúcar e canela em cima...). Provem e depois me contem o que acharam.

No retorno à casa, adivinhem o que aconteceu?! Chouveu... Até rimou... (rrssss)

Vou até o estendal para ver se secaram algumas roupas, pois outras já estão na fila...

Beijos

Algumas histórias para contar


Neste sábado, alguns amigos brasileiros que "cá estão" fizeram um bota-fora, quer dizer, comemoraram o final do "estágio" deles aqui em Portugal. O lugar de encontro foi a Cervejaria Trindade, que é a mais antiga cervejaria de Portugal: desde 1837. O atual edifício fora sede d'um convento - o da Santíssima Trindade, e remonta à 1294!!! Você é servido dentro do que era o refeitório. Simplesmente sensacional!!! De cervejaria, no conceito brasileiro do termo, não tem muito, já que está mais para um restaurante. Aproveitamos, portanto, para nos refestelar com um excelente bacalhau (à São Bráz) e um omelete com queijo. Resultado: ficamos com vontade de voltar...
Não bastasse a história acima que, se colocada em pormenores com as piadas, conversas, dicas e outros tantos assuntos discutidos no salão, duraria muitas linhas, temos outra: a da chuva. Ou melhor, do DILÚVIO. Pela "primeira vez"*, choveu aqui. CHOVEU!! Não é possível, São Pedro deve ter "perdido a mão" ou, caso contrário, desidratou o céu inteiro! Só ontem, devem ter caído uns 2 metros de chuva (rssss)... Adivinhem a hora que a chuva despencou!? Detalhes importantes: nem eu nem Cláudia temos carro; e a estação de metro fica +ou- 1Km. Preciso continuar a contar?! Vou aproveitar que vocês já adivinharam o que aconteceu, e acabar de estender a roupa...
Beijos

* "primeira vez" naquela hora do dia... porque 'cá', no inverno, chove TODOS OS DIAS!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nossa vida quase normal

Começamos a estabelecer um padrão "normal" no dia-a-dia. A Cláudia consegue estudar bastante e eu consigo dar cabo de meus projetos da consultoria, além de, é claro, abastecer este blog. Desde ontem ela está participando de um Congresso na Universidade de Lisboa que toma o dia todo. Isso irá até sábado.
Hoje, aproveitei uma "janela" no período da manhã para conhecer o centro de treinamento do Jamor, que fica bem próximo de casa. É simplesmene sensacional! É um centro Olímpico, onde treinam atletas de alto-rendimento, do futebol de campo ao golfe, passando por canoagem, rugbi, hockei sobre patins, atletismo, natação e tênis. Neste último, tenho que dar o braço a torcer: a estrutura é magnífica! Possui 25 quadras descobertas de saibro, além de 6 cobertas de piso rápido. Aliás, é aqui que se realiza o aberto de Estoril, torneio que contará com a participação de Federer e de Davydenko (é claro que já comprei minhas entradas!!). Conversei com parte do Staff e descobri que o chefe deles é brasileiro!! Incrível, nós vamos dominar o mundo (ou dividir com a chineses...). Outro ponto que impressiona neste centro é o paisagismo: todo canteiro, caminho, árvore ou planta está impecavelmente cuidado. O lugar é maravilhoso! Não sei se no Brasil há uma estrutura como essa. Fiquei com inveja... Mais legal ainda é que qualquer um pode jogar lá. Basta agendar horário. É claro que se paga, mas não é um absurdo (5,50 euros por hora nas quadras abertas).
Beijos.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Momento da decisão

Deixamos de ser sem-teto-fixo. Agora, somos com-teto-fixo. Viva! Esta foto marca o momento da decisão, às 23:30, na paragem de comboio de Carcavelos. Atrás da foto estamos eu e Cláudia (rrssss). Posted by Picasa

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Procurando Imóveis 2 - "a missão"

Confesso que ficamos abatidos depois de ontem. Estamos há algum tempo procurando morada e, até agora, nada. Pior: o tempo está acabando - o dinheiro do hotel está contado e restam só mais 4 dias. Se nada der certo, teremos de ir para um quarto.
De qualquer forma, a noite de ontem foi útil para uma coisa: concordamos em explorar regiões próximas à Lisboa como, por exemplo, Oeiras. Uma rápida procura pela internet já nos trouxe algumas opções por lá. Entramos em contato e conseguimos agendar apenas uma, em Carcavelos. As demais, ou já estavam arrendadas ou não era possível marcar visita para esta semana. “Luz amarela”: parece que não conseguiremos um local fixo no prazo. Precisamos de mais tempo. Hora do plano B: procurar por um quarto. Nessas horas, é necessário recorrer aos amigos: pedimos a uma brasileira o contato do quarto que morara e que, segundo ela, é limpinho, bem localizado e com bom preço. Conversamos com a dona da casa para passarmos por lá amanhã de manhã. Estava decidido: passaríamos um mês neste quarto, tempo suficiente para acharmos nossa residência definitiva.
À tarde, depois dos telefonemas, do almoço “não-sei-aonde”, (com certeza nada acima de 5 euros), fomos à Oeiras junto com a Adriana, nossa amiga que mora por lá. O lugar é muito bonito: o centro histórico exibe uma arquitetura típica da Itália (ruas estreitas, casas grudadas, paredes em tons pastel, janelas esguias). Enfim, gostamos do que vimos. Como Carcavelos é vizinha à Oeiras, ficaríamos com a Adriana conhecendo um pouco mais da “vila”. Partiríamos 30 minutos antes.
No caminho para o encontro, nossa expectativa não era das maiores. Apesar de termos nos encantado com a vizinha Oeiras, Carcavelos não fora bem recomendada pelo guia: “lugar de operários”. Descemos na paragem (estação) Carcavelos do comboio (trem), saímos e perguntamos sobre a Quinta do Barão. Seria fácil chegar, mesmo a pé (nosso caso, sempre). Estávamos atrasados em 10 minutos e seguimos rapidamente. Já estava escuro, ninguém nas ruas, todo comércio fechado. Uma garoa fina acabara de molhar o asfalto. Só nós “passeando” por Carcavelos (pelo menos, essa era a sensação). À medida que deixamos a paragem do comboio para trás, começamos a reparar no casario, nas fachadas, na arquitetura local. Em nosso primeiro contato com a cidade, nada nos pareceu ser aquela uma “vila” de operários. Muito pelo contrário: em todas as ruas havia casas enormes (coisa que em Lisboa nem se sonha), jardins bem cuidados, ruas limpas, prédios (não mais que 3 andares) muito bem construídos e de linhas elegantes. As surpresas, excelentes, se repetiam: cheiro de lenha queimando na lareira; uma pizzaria charmosa; cheiro de incenso. Assim foi até chegarmos ao endereço. Ou melhor, de sermos “resgatados” pela Maria José (proprietária), já que tínhamos nos perdido. Da mesma forma que a cidade, tanto a proprietária quanto o apartamento nos surpreenderam. Não precisamos procurar mais. Achamos nosso lugar!

Procurando Imóveis

Hoje, novamente, iniciamos nossa caça ao imóvel... Ontem à noite marcarmos uma visita no bairro de Pontinha: trata-se de um bairro limítrofe entre Lisboa e a cidade de Odivelas. Fomos de metro, e depois a pé. A primeira impressão não foi lá essas coisas: muita gente “à toa” nas ruas, coisa que não percebemos nos demais bairros, e um ar de subúrbio. A luz amarela acendeu... Como estávamos adiantados para o encontro, demos uma “espiadela” no bairro. É engraçado quando se está numa região não frequentada por turistas, e se é um turista... Aproximando-se a hora marcada, ficamos em frente ao prediozinho, aguardando. Foi coisa de 5 minutos: na nossa chegada, havia apenas uma senhora na janela; depois outra, outra e outro. Todos já deviam saber que dois forasteiros estavam por lá e, é claro, todos curiosos. Foi engraçado. Até que, após 25 minutos de espera, d’uma janela no 2º andar surge uma senhora que nos convida a entrar: ela já estava lá e nos fez esperar. Coisas de Marias e Joaquins... Já estamos quase acostumados.
Apesar da freguesia, o apartamento do 2º andar, número 822, estava um brinco: recém reformado, com todos os móveis, utensílios e apetrechos, incluindo TV à cabo, sofá-cama, ar-condicionado, toalhas de mesa, banho etc. Típica casa de vovó! E era mesmo, que morreu em dezembro (fiquei com receio de perguntar se fora ali mesmo). Ficamos em dúvida: já havíamos decidido que ali não seria, mas o apartamento nos fez repensar. Ele poderia estar em outra freguesia. Um aviso da proprietária nos fez voltar à realidade: “não abram esta janela, pois é possível que subam por fora e entrem. Nunca aconteceu, mas, quem sabe.”
Havia ainda uma 2ª visita agendada hoje. Esta foi indicação de um dono de imobiliária. A freguesia é a de Benfica, local que adoramos na primeira visita, só que não possui móveis. De qualquer forma, fomos visitar, pois o proprietário se comprometeu a deixar, pelo menos, cama, fogão e máquina de lavar. E só. O resto, ou seja, praticamente tudo, precisaríamos comprar. A localização é mais que excelente: em frente a uma praça toda rodeada por apartamentos. Dúvida novamente: aquele apartamento da freguesia horrível poderia ser neste local maravilhoso. Mas, quem sabe o que nos aguarda? Combinamos o seguinte com o corretor da imobiliária: vamos calcular quanto gastamos com os apetrechos e móveis da casa e amanhã daremos a resposta. “O IKEA é o lugar com melhores preços que encontrarão”, disse o corretor. E era mesmo, pois fomos lá comprovar. Mas, mesmo assim, para montar a casa gastaríamos por volta de EUR 500!!!! Sem chance. Amanhã, adivinha a resposta: não iremos arrendar.
Placar: Imóveis 28 x 0 Cláudia e Fabio