quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quanto vale uma imagem?

Confesso que estou com preguiça de escrever. Porém, por outro lado, estou com dor na consciência de não dividir com vocês nossas histórias... Sim, porque elas estão acontecendo com MUITO mais frenquencia do que as de postagens deste blog... Assim, achei uma maneira simples e rápida de dividir nossas últimas aventuras (e diminuir minha "culpa"): enviar uns videozinhos e apresentações. Genial, não!? Pois é... Espero que se divirtam.

Beijos



Ah! tem outro: as traquinagens do João Pedro.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tardo, mas não falho...

Como devem lembrar (não faz tantos posts assim), participei do confronto entre Portugal e Bósnia da Davis Cup. Acabou neste último domingo com a vitória de Portugal (3x2), de forma tranquila até...

Quadra central do Jamor


Para quem não sabe, a Davis é o que o tênis tem de mais parecido com o futebol: a torcida é pelo país, e não pelo jogador, então imagine como ficam as arquibancadas! Se nunca foi a uma partida dessas, vá. E se depois disso realmente não gostar de tênis, então o problema é seu! Foi sensacional estar dentro da quadra. Dá para sentir a torcida empurrando o jogador, dá para sentir o frio na barriga, o nervosismo. Foi impressionante! Para quem joga, então, é um Nirvana! Não tem preço!



Foram 3 dias intensos: o primeiro jogo durou 5:15. Isso mesmo: cinco horas e quinze minutos!! (Mais alguns minutos e passaria a final de Federer e Nadal em Wimbledon que durou pouco mais de 5:30). O segundo jogo do dia durou pouco mais de 3h. Ou seja, ficamos um tempão trabalhando! Coitado do juíz de cadeira, que tem de ficar o tempo todo sentadinho... Nós, juízes de linha, alternamos de 45 em 45 minutos com outra equipe (ainda bem...). No segundo dia, seguindo o cronograma de todos os confrontos da Taça Davis, é a vez do jogo de duplas. E lá fomos nós... Mas, foi rápido: 2:30 (hehehe). Portugal abriu 2x1 na Bósnia, e dependia somente de uma vitória no dia seguinte, quando aconteceriam os dois últimos confrontos. Pois bem, no último dia nossa tarefa foi facilitada, já que Portugal venceu logo no primeiro confronto. Mesmo assim, como rezam as regras da Davis, joga-se o último, porém, as equipes optam pelos jogadores reservas e, ao invés de ser melhor de 5 sets, é melhor de 3 sets. Fomos mais cedo para casa!

Porém, assim eu pensava, quando meu amigo Luís Santos, também juíz de linha, chegou e me perguntou:

- Quer apitar um jogo exibição?
- Como assim?
- Acabo de ser convidado para apitar um jogo exibição e preciso levar alguns para ir comigo. Queres ir?
- Hoje?
- Sim, logo mais às 19h
- Ok, fechado.

E lá fui eu, sem saber nem onde seria o evento, ou melhor, sem saber nada, a não ser que tratava-se de um jogo de exibição...

Quando chegamos é que vi o tamanho da "encrenca"! Estávamos num evento empresarial d'uma marca de cosméticos (Oriflame), cheio de "quere-que-quê", garçons pra tudo que é lado, comida à vontade, e jogo de tênis rolando solto. Tratava-se de um "campeonato interno" de duplas, onde os vencedores teriam como prêmio jogar com duas jogadores profissionais. Bacana, né? Eu achei também. Aí seguiu-se:

- Luís, quanta pompa, não?

- Você não viu nada. Tá vendo aquela mesa ali?

- Quanta gente em volta? O que é?

- Pois é. As tenistas profissionais estão ali. ´

- Mas precisa de tudo isso?

- São a Wosniacki e a Jankovic

- Ah! Precisa sim, é claro - disse eu.

Para quem não as conhece, apresentá-las-ei: Wosniacki (Caroline) é a atual nº 2 do mundo e a Jankovic (Jelena) é ex nº1 do mundo. Entenderam? Preciso explicar mais alguma coisa?

Da esquerda para a direita: Wosniacki, Luís, Ana, Eu, Jankovic

Depois, soube que a Oriflame (empresa dona do evento) é um dos maiores patrocinadores da WTA (associação feminina, o mesmo que a ATP para o masculino) e, por isso, elas estavam ali. Um detalhe importante é que NINGUÉM sabia que elas estavam ali, a não ser quem estava ali (é claro!!!). Ninguém mais. Nem o alto comissariado da ITF (federação internacional de tênis), que estava a menos de 10km do evento, sabia disso! Sensacional, não? Também achei... A exibição não era bem exibição... Foi um jogo de duplas, com uma delas de cada lado e os vencedores do campeonto compondo a dupla. Nem precisou de mim e da Ana, que fomos lá para ajudar, e acabamos só assistindo. A Ana, cara-de-pau, ainda pegou uma bolinha e foi pedir autógrafo para as duas. E conseguiu!

Como já dissemos: acontece cada uma conosco desse lado do mar...

Beijos

sábado, 18 de setembro de 2010

Extra! Extra!

Eu e Fabio estávamos, desde o início, com muitas dúvidas se deveríamos ou não publicar este assunto no blog.
Decidimos fazê-lo, porém antes apontando algumas ressalvas. Estas referem-se ao jeito de pensar português.
Convivendo com os lusitanos, observamos que, de fato, o modo de pensar é mesmo diferente do nosso, brasileiros. O povo português é literal na interpretação dos assuntos variados (em particular aqueles que pressupõem duplo sentido), na tradução de verbetes e expressões de outra língua, na orientação no trânsito, em comunicados de interesse geral à população, nas propagandas etc.
Pra muitas coisas passamos a concordar com eles, por mais absurdo que possa parecer para a nossa lógica brasileira.
E com isto, aprendemos a respeitar o jeito lusitano de pensar.
Entretanto... há algo que, conversando com nosso amigo português, o André, de fato os portugueses ainda têm muito o que aprender: as propagandas.
Decidimos partilhar com vocês algumas imagens e ideias que circulam pelas ruas de Lisboa.

Slogan do Aeroporto Internacional de Lisboa...

Outdoor com propaganda de desodorante...

Propaganda no jornal de uma agência de turismo...


E, a divulgação em um supermercado, do horário de funcionamento (fica uma placa no lado de fora do estabelecimento):


E, uma curiosidade interessante (ou seria uma interessante curiosidade) em muitas placas espalhadas pelas ruas:

Placa em rua da freguesia de Carcavelos
São jeito de pensar. Diferentes.
Bjs

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Quem sumiu?

Algumas pessoas - umas poucas, pra falar a verdade - nos perguntaram nestas últimas duas semanas sobre o nosso "silêncio" no blog.
Por causa da pergunta, parei para pensar e pensando, cheguei a algumas razões e resolvi partilhá-las vocês.
Uma delas é que já estamos com frio na barriga porque falta 'pouco tempo' para irmos embora e estamos ainda mais imersos nos acontecimentos de nosso dia a dia nestas terras lusitanas.
Outra é que não estamos recebendo emails nem comentários no blog e ficamos nos perguntando: 'o que será que acharam desta história?', 'será que alguém leu?', 'fulano ia gostar de ler isto...' Mas, temos ficado sem saber... POR FAVOR, enviem emails, posts no blog, carta, cartão postal, telegrama e até sinal de fumaça pra dizer que não esqueceram da gente!!!!
Ainda outra razão é que recebemos a grata surpresa há uns 15 dias atrás ao chegar o cartão de residência do Fabio (aquele que levamos meses e meses para conseguir oficializar o pedido junto à SEF, lembram-se?), de que ele tem autorização para trabalhar. Descobrimos que houve uma mudança na legislação e as pessoas que se enquadram no 'reagrupamento familiar', podem trabalhar. Imaginem saber disto agora, faltando 4 meses pra irmos embora... Ele enviou CV para alguns lugares - na verdade pra vários - e teve duas experiências de algumas horas, que deixarei pra ele mesmo contar.
E, por fim, uma última razão é que agora começo, de fato, a escrever a tese. Até agora estudei muito, escrevi artigos, participei de eventos, me encontrei com muitos professores e estudei-escrevendo. É chegada a hora de dar 'cara de tese' a tudo o que produzi... Outro frio na barriga.
No mais, estamos na expectativa de chegada de nossos próximos hóspedes.
Sim! Teremos hóspedes em breve!!
Daremos notícias.
Bjs

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Do you speak...?

Eu e Fabio quando saímos do Brasil, havíamos conversado de que estaríamos abertos para novas amizades portuguesas.
E, estando cá, fizemos amigos.
Neste final de semana, curiosamente, conversávamos sobre este assunto, pois éramos em um grupo de 5 pessoas: 02 brasileiros (quem seriam? rs), 01 argentino-brasileiro (Antonio), 01 italiana (Alessandra), 01 alemã (Melanie).
Estranho?
Pois é, dialogando chegamos à conclusão, influenciados pela larga experiência de Melanie que vive em Lisboa há quase seis anos, de que os portugueses (estes de Lisboa, é claro!) são muito integrados aos próprios grupos desde jovens e não sentem necessidade (ou não querem... ou a gente é meio "mala") de se abrirem para outros. Então, ficam fechados entre eles e, de fato, é mais difícil fazer amizade.
De qualquer forma, a nossa multiculturalidade é muito "fixe"! Heheheheh
A gente até 'habla español', 'parla italiano', 'spreekt Duits' e 'estamos a falar português de Portugal'...
Rs
Vamos voltar 'poliglotas'! Rs

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Extra, extra!

Agora é oficial, então posso contar para vocês também!

Fui convocado para ser juíz de linha na TAÇA DAVIS!!! Não é sensacional? Não! É MUITO MAIS QUE ISSO!


Para quem não sabe, a Taça Davis (Davis Cup para os "gringos") é a mais importante competição entre países que existe no mundo! E, como Portugal passou para a última fase de grupos, fui convocado pela FPT (Federação Portuguesa de Tênis)!! O desafio será contra a Bósnia, nos dias 17, 18 e 19 de setembro. Será no mesmo local do Estoril Open (Parque Nacional - Jamor).


Não sei se terá transmissão pela TV, mas no site http://www.atdhe.net/ é possível que encontrem alguma coisa... Dêem uma "xeretada" por lá...


De resto, agora é só torcer!


Beijos

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Só vendo para acreditar

Do alto de nosso cafofo na Sicília – sim, estávamos bem alto! – conseguíamos ter uma linda vista da orla marítima, bem como do bairro ao redor. Estávamos no último andar do maior prédio da redondeza, no meio do quarteirão. Melhor posição não há, inclusive para tomar vento... Mas, até chegar a ser habitável, este último andar teve seus dias de “inospitabilidade” (qualquer que seja o sentido disso). Na realidade, ele já foi tão árido quanto um trecho de deserto, e tão quente como tal.

Explico: o apartamento dos pais do Gu, em Porto Empédocle, dá direito à utilização do solário. Em outras palavras, eles têm posse do último andar do prédio, além do apartamento em si. E é uma bela área de 140 m2! No início, como disse, era inabitável: não tinha cobertura, nem nenhuma facilidade. Mas, hoje o cenário é totalmente diferente. O lugar é o mais requisitado da casa! Seu Alfonso (ou Afonso. Corrija-me Gu!) com muito bom gosto, muita paciência e com muita habilidade manual, construiu um cantinho MAIS do que agradável: uma varanda de 70m2 (!), com direito, ainda, a um apartamento com cozinha, sala, cama de casal, ducha, um vaso sanitário a “céu aberto” e todos os apetrechos. Além disso, instalou duas redes de descanso. Enfim, um cantinho para descansar e admirar a vista. E, para aqueles que gostam de reparar na arquitetura local (meu caso), era um prato cheio! Com a ajuda do Gu então, que conhece muito bem a região, foi um espetáculo! E porque espetáculo? Confiram o diálogo:

- Gu, e aquela casa enorme ali?
- Enorme? Você não viu o que era antes! Na realidade, tá vendo aquela porta e janela? Então, era só aquilo. Daí, o filho mais velho casou e adivinha?
- Aumentaram a casa?
- Isso
- O resto é fácil de imaginar...

E não era a única casa nestes moldes. Imaginem que, naquelas bandas (arrisco dizer que por toda a Sicília) é normal as famílias morarem nas mesmas casas. Qualquer cantinho serve. Qualquer cantinho MESMO!

- Tá vendo aquele apartamento ali? Reparou alguma coisa estranha em relação aos outros?
- É. Tem um cômodo mais avançado para a rua – disse eu
- Pois é. O dono fez uma sacada, de início. Sem consultar ninguém, é claro... Depois, como nenhuma pessoa falou nada, acabou por levantar três paredes e fechou. Virou um quarto!
- Isso é legal? Digo, no sentido das leis.
- Legal? Só se for engraçado...
- Caramba!
- Tem um caso famoso por aqui. Um ilustre – que de ilustre não tem nada – resolveu fazer a mesma coisa. Só que havia um poste na calçada, atrapalhando a construção da sacada. Sabe o que ele fez?
- Arrancou o poste?
- Não. Ele construiu em torno dele!! A sacada (depois, óbvio, virou um quarto) tem um poste no meio!

Imaginem ter um poste no meio do quarto/sacada (ou seja lá o que for...). A pergunta que fiz ao Gu foi: ele instalou um interruptor para desligar a luz do poste, para dormir no escuro? Não sei por que, mas ele ficou mudo e não me respondeu...

Beijos

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os Franciacorta

De alguns anos para cá, a cultura do vinho têm ganhado muitos adeptos no Brasil, por várias (diria até infinitas) razões. Dentre os neófitos da “arte”, incluo a mim e a Cláudia. E por quê? Simples: nos rendemos às mágicas transformações promovidas pela bem-feita (tem “tracinho”?!) harmonia entre o prato e o vinho. Sempre estamos lendo sobre o assunto, experimentando novas combinações, ouvindo os “entendidos”. E o que isso tem a ver com nossa viagem? Também é simples: tudo. Basta dizer que a Europa é, também no quesito vinhos, o “Velho Continente”.



Deixando para Portugal um outro post exclusivo neste sentido (se me lembrar de escrevê-lo, é claro...), na Itália conhecemos a região da Franciacorta, que é uma zona produtora de vinhos delimitada dentro da província de Brescia. Somente nela é que se permite fazer os vinhos Franciacorta, resultado da vinificação de uvas como a Chardonnay, a Pinot Noir e a Pinot Blanc. Mas, tudo isso, só soubemos depois de uma voltinha de bicicleta, através dos próprios vinhedos...

Já fazia 2 dias que a Ve e o Gu haviam deixado a casa em nossas mãos (eles são, definitivamente, malucos!! hehe) . Eu e Cláudia iríamos dar uma volta de bicicleta, pois, de acordo com nossos anfitriões, a região é muito bonita. Sabíamos, a princípio, que estávamos numa zona produtora de vinho, os Franciacrota, mas, como nunca havíamos ouvido sobre tais vinhos, não demos a devida importância. Na noite anterior ao passeio, a Cláudia descobriu um site com um roteiro de bicicleta pela região! E não era apenas 1, eram 4 roteiros, cada qual com um nível de dificuldade e devidamente sinalizado. Pois bem, escolhemos o nosso. Bastava seguir a rua de “casa”... No início, pegamos uma subida PESADA. Empurramos até o topo para, lá, nos deparar com um desvio. Qual direção tomar? Bom, para encurtar, achamos a saída na terceira tentativa... O detalhe é que havia apenas 3 alternativas: a correta ficou para o final! Murphy (o da “lei”) está orgulhoso de nós... hehe


Depois, entretanto, fomos cercados por uma paisagem inesquecível! Passamos por vilas medievais com ruas estreitas; cortamos bosques de castanheiras enormes; atravessamos parreirais maravilhosamente bem cuidados... Ao longo de todo o trajeto as sombras das árvores deixavam o sol, inclemente nesta época do ano, do “lado de fora”. Como é de se pensar, fizemos o trajeto sem PRESSA NENHUMA.
E, assim, pudemos conhecer alguns detalhes do plantio, do cuidado e também conhecer mais sobre o vinho Franciacorta. Sensacional, não?! Nós também achamos! Quero voltar!

Beijos

sábado, 21 de agosto de 2010

O que dizem do lado de cá

Aproveitando o ensejo...

Todos sabem (ou deveriam saber) que, a partir de julho deste ano, Campinas voltou a ter voos internacionais. De início, e para nossa maior alegria, foi a TAP (transportes aéreos Portugal) quem deu o pontapé. Ou seja, estamos ligados diretamente com nossa cidade...

Tenho ouvido alguns daí dizerem que estes voos estão mais caros. Outros disseram que a procura é tanta, que não havia lugar na data que gostariam. Nem irei comentar o potencial de nossa Região Metropolitana, pois já se firmou no cenário nacional. O que gostaria neste breve post é mostrar o lado de cá! Sim, pois, o avião não poderia ir vazio daqui para aí, né?! Vejam abaixo como eles estão divulgando "nosso" aeroporto.




Beijos mil!

A primeira a gente nunca esquece

Ultimamente tenho sido muito descritivo por aqui: os últimos posts têm sido de mera descrição do que fizemos, com poucas histórias, que são o que interessa. Não é?! É! Então, deixarei de delongas...

Chegamos em Milão na madrugada do dia 30 de julho. Na manhã seguinte, seríamos "resgatados" pelo Gu e pela Ve, que iriam nos levar até a casa deles, a cerca de 1h dali. Porém, um problema logístico nos aguardava: como iríamos à Milão (o aeroporto fica longe), se não havia transporte àquela hora (apenas os taxis, que são caros...)? A resposta foi fácil: se não há solução, solucionado está! Ficaríamos no aeroporto até o primeiro ônibus, ou seja, dormiríamos lá... Eu consegui. A Cláudia não. No chão (piso frio), sem coberta, com um ar condicionado congelante, no meio do aeroporto. Enfim, bem romântico... Ficamos assim até as 5:30, quando veio o primeiro transporte. Já na cidade, foi difícil controlar o sono... Dormíamos sentados, em qualquer lugar. Coisa bonita de se ver! Mais tarde, fomos devidamente resgatados pelo casal, e conduzidos para "casa". Nem precisa dizer o que fizemos a seguir: dormimos.


Refeitos, encontramos uma bela refeição à mesa com prosciuto di Parma, polenta (super bem temperada!), pastas, peperoncini (uma delícia!) e vinho! Tudo preparado pela Verônica! Aliás, o vinho foi um capítulo à parte: quando os dois moravam no Brasil, nós os presenteamos com um vinho brasileiro para, quando na Itália, pudessem reviver bons momentos. E qual foi nossa surpresa ao ver que eles guardaram a garrafa para tomar conosco? Foi sensacional! Que carinho!! Obrigado aos dois!




A nossa epopéia (tem acento na nova regra?) só estava começando... Não tínhamos noção das paisagens da região, ainda. Os próximos dias nos mostraram que Veneza, Roma, Firenze e Assis merecem, com certeza, a visita. Mas, existem lugares poucos explorados pelos "de fora" que valeriam MUITO a pena. Na sequência dos posts contaremos.


Beijos

Um encontro e muitas histórias

No período de nossa estada na Itália, decidi (influenciada pelo meu orientador do Brasil), a me encontrar com o professor Augusto Ponzio, um estudioso da Universidade de Bari (região da Puglia, sul do país).
Após contato feito por email ainda em Portugal, com retorno positivo para um encontro em algum lugar público, já que o mês de agosto é férias em toda a Europa e a Universidade estaria fechada. Estes contatos iniciais foram feitos com a ajuda de meus amigos 'italianos' (Gu e Ve) já que 'non parlo italiano', o que foi, obviamente, declarado ao professor.
Na Itália...
No dia 10 de agosto, conforme combinado por email com Ponzio, eu precisava ligar para ele para agendar o horário e o local de nosso encontro no dia seguinte, quando de nossa chegada a Bari. Porém, tinha um problema: meus amigos estavam de férias e já haviam embarcado para a Sicília (onde nos encontraríamos dias depois) e eu não os teria como "tradudores".
Fiz uma "cola" em um papel com um roteiro de conversa e liguei. Tudo seguia muito bem nos primeiros dois minutos de conversa até que ele diz algo que estava fora do esquema. Rs. Daí para frente foi um tal de eu dizer "non capisco professor" e ele "blá-blá-blá-blá". Enfim, ao final, entendi que nos encontraríamos em frente à Faculdade de Língua e Literatura Estrangeira às 17h.
Chegamos a Bari e já instalados no hotel (reservado desde Portugal), usamos nosso GPS para localizarmos a tal Faculdade e... estávamos simplesmente na rua de trás!
Uns 15 minutos antes do horário previsto, tive uma ligeira 'dor de barriga'. Por que será?
Estava com frio na barriga e com medo pensando no porque é que eu me metera naquela situação, já que não era falante de italiano e o professor, de nenhuma outra língua exceto a própria... Mas, a esta altura, restava caminhar uma quadra para enfrentar o desafio.
Ah! Um detalhe importante é que o assunto em pauta com o professor era um conjunto de reflexões do pensamento de um estudioso russo, um filósofo da linguagem chamado Bakhtin. Assunto bem "simplezinho" de se conversar em português... imagine em outra língua.
Cheguei ao local e depois de aguardar uns 10 minutos (e eu já achando que havia entendido o local e o endereço errados...), chega uma mulher e me pergunta - em italiano - se eu era Cláudia, estudante que se encontraria com o prof. Ponzio. Digo que sim. Ela pergunta se falo inglês. Digo que sim, pouco. Então se apresenta e diz que, a pedido do professor, participará de nosso encontro para fazer a tradução inglês-italiano e vice-versa.
Fico estarrecida com a delicadeza e preocupação do professor (ou desespero... rs)!
"A mulher" pede que eu a acompanhe na mesma rua até nosso local de encontro. Caminhamos dois quarteirões. Ela toca a campainha em um prédio e conversa, em italiano, com Maria que nos pede para subir. Entramos no prédio e ela me diz que o professor decidiu nos encontrarmos na casa dele mesmo e que estávamos subindo até lá.
Fico surpresa em saber que ele me receberia na própria casa!
Maria, esposa de Ponzio, nos recebe e nos acompanha à sala pedindo para aguardarmos o professor. Ele chega, cumprimenta-nos, e "a mulher" vai fazendo a tradução deste começo de conversa.
Neste início, o papo girou em torno da razão de eu ter ido ao encontro dele, se conhecia suas publicações (a cada uma que perguntava, levantava-se, ia buscar um exemplar, trazia e me mostrava). Maria propõe-nos um chá gelado. Todos aceitamos.
Eu, com a dor de barriga já indo embora, percebi que conseguia compreender o professor sem que houvesse necessidade de tradução. Pedi "à mulher" se poderíamos manter a conversa em italiano e eu, perguntaria o que não compreendesse ou o que quisesse esclarecer em termos de conteúdo, em inglês.
O professor pergunta o que eu gostaria de conversar com ele e eu - com uma lista de coisas - para fazer a primeira questão, pergunto "à mulher" se ela tinha leituras de Bakhtin já que é um autor difícil e fazer este papel de "tradução" comigo não seria nada fácil. E fico então sabendo que "a mulher" é Susan Petrilli, a tradutora de todas as obras de Ponzio e que também é professora na Faculdade de Letras na Universidade de Bari. Tudo mais simples, ao menos para mim. Faço a primeira pergunta e ele fica olhando fixamente para mim e eu, por outro lado, tentando olhar para Susan.
De repente ele me pergunta se eu não falava espanhol, pois é uma língua que ele consegue entender e que ele queria entender o que eu falava ainda que precisasse do apoio de Susan. Digo que sim, um pouco.
Neste momento, de fato, começamos nossa conversa a quatro: eu, Ponzio, Susan e Maria (que é antropóloga e também professora na Universidade de Bari).
Em uma mistura de línguas, de áreas de conhecimento, de experiência e de idade, nossas palavras forma se misturando, se entrelaçando, constituindo-se em própria-alheias-próprias. Foi um diálogo riquíssimo!
Às 20h nos damos conta de que estávamos "exaustos" e que era o momento de encerrar a conversa (e eu fizera somente a primeira pergunta...).
Começamos, então, outro papo sobre a política no Brasil, o ensino superior em São Paulo, sobre viagens, sobre a Itália, sobre nossas famílias. E, antes da despedida final, pedi licença para fazer uma foto: uma de nós quatro e outra, somente com o professor e no escritório dele (me leva para conhecer, mostra sua 'pequena' biblioteca, as coleções, as caricaturas etc.).


Susan e eu trocávamos endereços de contato e o professor Ponzio traz um conjunto de livros para me presentear (de autoria dele e de Maria).
Fico lisonjeada com o(s) presente(s)!
Na despedida, o agradecimento profundo pelo acontecimento único daquele fim-de-tarde e começo-de-noite.
Susan, na saída, diz que me acompanharia porque queria que eu conhecesse um casal de sobrinhos, australianos, que estavam hospedados na casa dela de férias.
Resumo: no dia seguinte, fazemos um passeio pelos arredores de Bari a 4: eu, Fabio, Nicole e Luke. Amazing day! New friends!
No retorno a Bari, Susan nos aguarda na casa dela: tomamos um "gelato", um café, papeamos um pouco e, definitivamente, nos despedimos.
Tarde da noite, quando retornamos para o hotel depois da devolução do carro alugado no aeroporto, há um material para mim na recepção: um bilhete carinhoso e um conjunto de livros. Presentes de Susan agradecendo nossos encontros e colocando-se à disposição.
Sem palavras.
Viajar para Bari foi um acontecimento F E N O M E N A L!!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Estamos de volta!

Após 20 dias inesquecíveis, chegamos em casa! Cansados, eu com gripe, Cláudia cheia de picadas de mosquitos, mas carregados de alegria. Como é linda a Itália, do norte e do sul. Sim, pois posso arriscar dizer que são "países" diferentes. E os dois são apaixonantes! O de "cima" é mais "europeo"; o de "baixo" é mais "latino".






Fizemos coisas que numa viagem normal de turismo não se faz:

Na região de Capriolo, além dos lagos (Garda e Iseo), passeamos de bicicleta em meio a vinhedos; cuidamos de uma casa durante 1 semana (incluindo sua horta); conhecemos vilarejos minúsculos (que nem nossos anfitriões conheciam); descobrimos os vinhos da Franciacorta (um dos melhores espumantes conhecidos); fomos guiados através de uma vinícola pelo próprio dono - o senhor Ricci Curbastro; fizemos amizade com o açougueiro, dentre tantas outras peripécias.

Na cidade de Bari, logo de cara conhecemos o que é estacionar errado (se você acha que sabe o que é estacionar de qualquer maneira, venha a Bari ter algumas aulas...). Depois descobrimos os encantos da cidade velha, com seu centro histórico riquíssimo de histórias para contar! Na região de Bari (Puglia) conhecemos ainda outras cidades lindas como Tranni, Polignano a Mare, Monopoli, Alberobelo e Saveletri. Todas com um charme peculiar, que atrai pela forma de ser, e não de ter sido criada para o turismo, como é o caso de alguns lugares...

Em seguida, fomos à Porto Empedocle (Sicília), à casa dos pais do Guglielmo. Foi simplesmente apaixonante! A casa, os pais, as praias, as cidades, a COMIDA (haja comida!!!). Esta cidade fica na província de Agriggento, onde está o maior complexo de templos Gregos da Sicília - é claro que visitamos.

Na volta para casa, ainda tivemos tempo para nos surpreender com Trápani e sua vizinha Érice. Esta última, tem seu centro histórico (um dos mais bonitos que conhecemos) no alto de uma montanha. De lá, nos dias claros, consegue-se ver até a costa da Tunísia, na África!!



Por enquanto é isso...

Beijos

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um resumo - direto da Italia

*desculpem, mas o texto esta sem acentos... culpa do teclado (e do 'tecladista', hehe) que nao se entendem. Mas sei que voces entenderao...


Estou escrevendo diretamente da Italia, onde passaremos uma temporada 'forçada' (essa foi boa...) de 20 dias. Deste total, ja passou-se uma semana. Tempo mais que suficiente para termos boas, e varias, historias.

Entao, para nao deixa-los com agua na boca, ai vai um resumo dos acontecidos:


- Chegamos na madrugada do dia 30 de julho e dorminos no aeroporto (isso mesmo...).

- Nem preciso dizer que neste dia estavamos imprestaveis, para qualquer coisa...

- No dia seguinte, fomos ao lago de Garda, conhecemos a cidade de Limone sul Garda. A noite, fomos numa festa popular de rua em Paratico.

- No domingo, rumamos para o lago d'Iseo, onde nos deliciamos na estradinha que o circunda e com suas cidades MUITO bem cuidadas. (e' o lago de Garda sem o MONTE de turistas...).

- Na segunda, conhecemos um pouco a regiao (Capriolo - cidade onde estamos - e Bergamo).

- Na terça, apontamos para Veneza, para passar nervoso... haja turista!!!

- Ontem (quarta), aproveitamos os conhecimentos locais da Veronica e fomos ao parque nacional de Naquane, onde vimos algumas das mais impressionantes inscriçoes rupestres da Europa (com mais de 6000 anos!!). Depois, visitamos uma das mais belas vilas de toda a Italia: Bienno (se voces nao conhecem, procurem se informar. E' linda!). Ainda tivemos tempo para conhecer uma formaçao rochosa rarissima, apelidada de piramide, proxima ao lago d'Iseo, e ainda curtimos a paisagem a beira do lago. Cinematografico!!!

- Hoje, visitamos, pela 3a vez, a cidade de Milao. Entramos na Pinacoteca de Brera e em todos os Museus do Castelo Sforzesco. Sobrou animo e coragem para ir ate a Basilica de San Ambrogio e conferir o corpo dele, que fica exposto na cripta...


Esperamos poder escrever algumas das historias para voces. Porem, quero adiantar uma que merece: na volta de hoje, descobrimos apos o desembarque na estaçao de trem, que nao havia onibus para chegarmos em casa... No fim, o dono da lanchonete da estaçao de trem nos deu carona... Que bom! Posso dizer que eu ainda acredito em seres-humanos!!!


Beijos

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Quando o tempo é curto, fazemos muito mais do que parece ser possível

por Douglas


Évora está a aproximadamente 1h30 de distância de Lisboa. Nós tínhamos que estar no aeroporto de Lisboa às 14h para embarcar rumo ao Brasil (Snif, snif!). Não sei vocês, mas eu, há algum tempo atrás, acharia que seria coisa demais para se fazer até 2 da tarde.

Contrariando a máxima de que o tempo passa muito rápido e de que não temos tempo para nada, entre 8h e 14h pudemos fazer tudo e mais um pouco e o tempo nem passou tão rápido assim. A paisagem entre Lisboa e Évora é maravilhosa, repleta quase todo o caminho por plantações de sobreiro, uma árvore da família do carvalho (vixi, acabei de descobrir que os sobreiros são parentes seus, Fábio!), a partir da qual se extrai a cortiça e se faz a rolha. Fantástico! Às 9h35 deixamos a “dita-cuja” na Universidade e fomos estacionar o carro, como bem descreveu o Fábio*. Nosso objetivo era retornar ao meio-dia. Nas 2 horas e 25 minutos que se seguiram pudemos caminhar ao lado do aqueduto mencionado, percorrer o centro histórico, visitar o Templo de Diana, tomar (bem tranqüilos) café na praça e ainda tivemos templo de caminhar pela rua do comércio e apreciar os produtos que lá fazem com cortiça, como bolsas, carteiras, guarda-chuvas, sapatos, etc.

Não bastasse isso tudo, a Cláudia nos ligou para dizer que não precisaria participar das atividades vespertinas. Fomos buscá-la e antes das 2 da tarde estávamos nós 4 no aeroporto. Naquela manhã fizemos mais do que, às vezes, planejamos fazer durante o mês. E isso foi só o que fizemos na última manhã. Aguardem para ver com detalhes o que nós fizemos nos outros 9 dias que antecederam Évora.

Abraços,
Douglas

*conforme post "A mão que balança o cesto" (nota do editor)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Memórias de Santiago - A serra-elétrica


Já era o sexto, ou o sétimo, sei lá qual era o dia de caminhada. Não importa. Havíamos chegado em Rubiães, uma megalópole portuguesa de, no máximo, 1500 habitantes... Uma vila típica da região dos vinhos verdes, cheia de paisagens cinematográficas, onde o caminho de Santiago cruzava, e até por vezes entrava, nos parreirais. O relevo dava o tom da marcha: nas subidas, um pouco mais lenta; nas descidas, era um “sai da frente”, mas sem preocupação de chegar... Enfim, estávamos numa típica vila de interior, cercada de parreirais, com muita gente simples e acolhedora.



Nos instalamos no albergue oficial, cuja recepção tinha uma mesinha, um livro, mas nenhuma pessoa. Cada um fazia seu “chek-in” e deixava sua colaboração: em Portugal o habitual era deixar 3 euros por pessoa. O carimbo também era por conta, bastando pegá-lo e usá-lo. Ou seja, um sistema de auto-gestão, que ocorre em outros albergues do caminho em Portugal. Na Espanha, a coisa muda...


O albergue, onde antes era uma escola primária, é bem confortável (para os padrões do peregrino, leia-se), possuindo um amplo dormitório com vários beliches, banheiros separados (em alguns o banheiro de homens e mulheres é o mesmo), duchas excelentes (aliás, em todos eles a ducha era MUITO boa), sala de jantar/estar e cozinha minimamente equipada. Mas suficiente para fazermos um espaguete à carbonara, nosso jantar daquele dia, prato chefiado pela Cláudia e apoiado por nós 4 (Eu, Ian, Sandra e Andrew). Já na sala de jantar, com a mesa decorada pela Sandra, inclusive com flores da época recém colhidas, conhecemos um padre espanhol que estava realizando, pela enésima vez, o trajeto. Foi interessante vê-lo discorrer a respeito do Brasil, e de sua situação econômica. Estamos virando vitrine! Que bom (ou não...)! Muito simpático, na manhã seguinte veio para se despedir de nós. Infelizmente, não o encontramos mais...

Albergue de Rubiães - foto da partida, na manhã seguinte...

Porém, o melhor do albergue estava reservado para a noite... Já havíamos notado que existem muitos coreanos fazendo o caminho. O motivo parece ser a fama do trajeto por aquelas bandas... Não sei exatamente porque. De qualquer forma, nesta noite peguei uma cama próxima da de um coreano. Antes não tivesse feito isso... Deitamos após o jantar, mais ou menos às 22h, e tentamos dormir. Meia hora depois, e nada... Mas, consegui relaxar e iniciei aquele estágio de semi-sonolência, onde o sonho se mistura com a realidade. Lembro-me até agora do sonho: estava num lugar que não conhecia, cercado de gente, todos em pé, e eu no meio da roda de pessoas. Do outro lado, uma pessoa toda vestida de preto, só com os olhos à mostra, empunhando uma espada! Comecei a entender a situação: estava numa arena onde, do outro lado, estava um ninja! Ou algo parecido... De repente, este personagem começou a girar sua espada, fazendo malabarismos, e gritando, o mais alto que podia, e começou vir em minha direção! Caramba! O que faço agora?! Onde é a saída? Comecei a correr, dando voltas na arena, e aquele maluco atrás, não parando de berrar, e eu correndo. Até que vi uma porta. Seria a saída? Não sei... O importante é que era uma porta, e foi para lá que corri, com todas as minhas forças e, quando estava quase chegando, escorreguei e bati forte nela! Acordei! Foi aí que percebi, então, que ao meu lado, no quarto, o coreano roncava tão alto quanto uma moto-serra e, nos “intervalos”, ele berrava coisas na língua dele (ou qualquer outra ininteligível...). Perguntem se consegui dormir depois... O cara não parou de roncar durante toda noite! Depois, por volta das 4h da manhã, ele levantou, arrumou suas coisas e se foi. E nós, que não dormimos a noite toda, tínhamos algumas horas para tentar descansar um pouco... Se o visse numa próxima paragem, não ficaria perto. Mas, não encontramos ele até o final. Ainda bem!


Dormimos como uns anjinhos na noite seguinte! Só acordei com meu próprio ronco, e o resto do quarto dando risadas... Será que eles entendem português?


Beijos

A mão que balança o Cesto

No último dia da Fer e do Doug aqui, no Além-mar, fizemos uma incursão "meio-forçada" à Évora. A razão do "meio-forçada" é que, não fosse por um congresso da Cláudia por lá, não iríamos. Mas, não é por que não vale a pena, MUITO PELO CONTRÁRIO. É que quase não tivemos tempo para incluí-la...



Assim que chegamos, fomos deixar a razão da visita (leia-se Cláudia) na Universidade de Évora, e partimos em busca de uma vaga para o carro - é claro que, em estando lá, daríamos uma volta no centro histórico. Achamos um lugar bem próximo ao centro. Sem mapa da cidade nas mãos, mas aproveitando que já estivera lá, fomos seguindo meu senso de direção. Entramos por uma ruazinha perpendicular ao nosso carro, na qual enxergava-se, ao fundo, uma sequencia de arcos - o aqueduto da cidade. Quando atingimos este "paredão arqueado", notei coisa que não havia notado antes: nos vãos formados pelos arcos, foram construídas casas! Isso mesmo! Suas fachadas ficavam na forma do arco, e o resto se estendia para trás (ou lado, depende da referência...)! Era a construção ecológica daquela época (mesmo sem eles saberem), pois poupou material. Muito interessante! Para prosseguirmos a caminhada, a muralha não deixava opção, tivemos de escolher entre direita ou esquerda. Escolhemos a primeira, ainda bem!



Entramos nesta outra rua, que margeia o aqueduto, calçada com pedras e com um leve aclive. Ela era (ou é) bem estreita e, a partir do ponto que entramos, conseguíamos ver o final (apesar disso, vocês acham que não havia trânsito, e que eles maneiravam na velocidade?! Ledo engano!!). Mal tínhamos entrado, quando levamos um susto: ao nosso lado, na altura de nosso ombro, balançou, ameacadoramente, uma cestinha de vime! Sem dar aviso nenhum! Como assim, uma cesta de vime, pendurada por uma corda?! Sem avisar, ainda por cima... Olhamos para o alto, até o final da corda, e notamos que havia inteligência neste balançar: um senhor (bem velhinho por sinal), pedindo para alguém da padaria ao lado colocar os pães! A cena foi impagável (nós paramos do outro lado da rua para ver, é claro): uma senhora, provavelmente chamada Maria, saiu da padaria com um saquinho de pães, e, antes de colocá-lo na cestinha, pegou o dinheiro de dentro, e virou as costas. Mal havia dado o segundo passo quando, a "mente-por-trás-do-cesto", reclamou o troco! - Dna. Maria, o troco!! - Ah! sim, havía-me esquecido! - Aqui, ó Manuel (acho que era esse o nome dele). E o velhinho iniciou a ascenção do cesto. O que foi outro espetáculo, pois no caminho do térreo até o 3º andar, haviam as beiras das janelas. A cada enroscada, era uma palavra nova para meu dicionário! E o velhinho, provavelmente com a prática de anos, desenroscava com muita naturalidade... Foi sensacional, e encantador, ter presenciado isso!!



Essa é rua. Foto de nossa primeira visita à Évora (Fev/2010)


Ao Doug, que está com as fotos deste evento (tiramos, é claro), peço para enviá-las! Assim que as tiver, coloco para vocês.

Eis o acontecido!!! Foto tirada pelo Doug, no exato momento que a Maria deixa o troco e volta para a padaria...


Esse espetáculo não teve data nem hora marcadas. Teve local, sim, mas não se sabe quando os artistas estarão presentes. Faz parte da peça "As pequenas coisas da Vida", de autor conhecido. E NÃO TEM PREÇO!



Beijos



segunda-feira, 26 de julho de 2010

Reveja seu plano de viagem...

Portugal é um país cheio de boas surpresas. Especialmente, para quem se propõe a ser um 'verdadeiro' viajante.
Em cada lugar, a descoberta de belas paisagens, construções pitorescas, pessoas curiosas, vinhos nacionais para todo gosto (alguns feitos na própria 'quinta'), comida boa e sobremesa variada (a maioria à base d'ovos, é claro!). Enfim, em cada lugar, um acontecimento (no sentido bakhtiniano).
Para quem gosta de monumentos históricos (datados de 200 até alguns 1000 anos - castelos, ruínas, igrejas, mosteiros...), há.
Para quem gosta de centros históricos que guardam a marca do passado em cada detalhe, há.
Para quem gosta de parques e jardins bem conservados em que se pode curtir a natureza e aproveitar dos espaços públicos coletivamente, há.
Para quem gosta de quintas (sítios e fazendas), há muitas.
Para quem gosta de programação cultural (exposições variadas, dança, música, canto, museus, shows, performances, fotografia...), há diversidade.
Para quem gosta de arte rupestre... há inúmeras! Para curiosidade, em Portugal há mais de 300 (isso mesmo, 300!) localidades de arte rupestre, com destaque para os complexos do Vale do Rio Côa e Vale do Tejo, a gruta do Escoural e a Anta pintada de Antelas em Oliveira de Frades.
Para quem gosta de contato com a água - do rio ou do mar - há muitas opções. E com elas, a prática do surf, de velejar, de mergulhar, de nadar...
Para quem gosta de praticar esportes, há espaços públicos bem equipados para a prática de triathlon, corrida, caminhada, bike e muito mais.
Para quem gosta de fazer trilhas... ah! são muitas as possibilidades de norte a sul do país. Basta escolher o tipo de paisagem que quer ver.
...
E, como não podemos guardar isto só pra gente... escrevemos.
Ainda bem que vocês que leem este blog têm o privilégio de acesso a estas informações! E temos certeza que já não é a primeira vez que o bichinho da vontade de vir a Portugal está cutucando...
Heheheh
Bjs, Claudinha

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Resumo dos últimos acontecimentos

Faz algum tempo que não colocamos nenhuma historinha por aqui. Por isso pergunto: alguém sentiu falta?! E eu mesmo respondo: se até nós sentimos falta de dividir nossas experiências, imaginem quem costuma passar para uma espiadela... Mas, temos justificativa! E vocês já devem saber qual é: voltamos a ser turistas, junto com o Doug e a Fer. Foi incrível! Vamos a um resumo dos acontecimentos (não necessariamente em ordem cronológica)...






Eles chegaram no fim da tarde, após uma viagem longa, e por isso tivemos um resto-de-dia "light". A agenda não estava pronta, mas a lista do que fazer já estava na ponta da língua: nós 4 criamos uma antes deles chegarem. E tinha coisa pra "xuxú"! No início, concentramos nossas atenções à nossa região, o que incluía as cidades e as praias. Depois, exploramos regiões "distantes", de carro. O roteiro ainda incluiu um show da Norah Jones (ingressos comprados com antecedência, é claro)!


Visitamos lugares que já conhecíamos (como contou a Cláudia), o que nos proporcionou um outro novo-olhar: como descrever a sensação de, não só confirmar a primeira impressão, mas notar outros detalhes que a ampliaram? Lisboa esconde segredos, guarda tesouros e é cheia de maravilhas! O que dizer dos mirantes, com suas vistas cinematográficas?! E do Bairro Alto, com sua vida noturna intensa?! E de Alfama, testemunha viva de como era a cidade antes do terremoto de 1755?! E do Castelo de São Jorge, que domina, imponente, o centro da cidade?! E da Torre de Belém?! E do mosteiro dos Jerônimos?! E do Padrão do Descobrimento?! E dos parques e praças, muito mais do que bem-cuidados?! Cansaram? Pois é! E não foi tudo...


Ainda na região, fomos conhecer/explorar a cidade de Sintra, que é Patrimônio da Humanidade! Foi a primeira vez de todo mundo, nossa também... É inadmissível não conhecê-la! Estou me perguntando até agora porque demorei tanto para ir lá! E só visitamos o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros. Faltaram ainda o Palácio Nacional, o Mosteiro dos Capuchos, Monteserrate...


Visitamos, também, os domínios dos cavaleiros templários: Tomar. Lá, fomos ao Convento de Cristo, erguido no século XII (por volta de 1100). Não consigo descrever quão sensacional ele é, mas posso dizer que pretendíamos visitar outros lugares naquele mesmo dia, só que não conseguimos: demoramos mais de 4h por lá. E não chegamos a conhecer todo ele!


Depois, pegamos o carro para nos aventurarmos no "além-muro". Fátima, Dornes, Óbidos, Évora, Porto, Vila Nova de Gaia, Lamego etc. Fizemos, ainda, a rota do Douro (onde é produzido o vinho do Porto), no trecho que liga as cidades de Peso da Régua e Pinhão. A estradinha vai margeando o rio Douro, não se afastando mais de 2 metros da água (isso mesmo, 2 metros) e nos conduz através de uma das regiões mais bonitas que vi na vida - foi declarada Patrimônio Paisagístico da Humanidade!


Um capítulo à parte foi a gastronomia: aposto que nós 4 ganhamos a companhia de alguns quilinhos... A maioria dos restaurantes merece um "repeteco", principalmente aqueles que foram uma grata surpresa, como o "Adega de Azenha". É uma portinha que beira a estrada (para sair, você tem que olhar para os dois lados, para não ser atropelado) e que reserva aos comensais os prazeres de uma EXCELENTE e premiada cozinha. Os vinhos, é claro, foram onipresentes nas refeições: do vinho verde (branco ou tinto) ao vinho do Porto, passando pelos alentejanos e os do Douro.


E, depois de tudo isso, pergunto: por que ainda não vieram para Portugal? Venham, antes que invadam!

Beijos

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Outro olhar

Lisboa muda com a presença de amigos.
Muda porque cá eles estão.
Muda porque olhamos com outros olhos o que olhamos antes.
Muda porque temos companhia para olhar juntos.
Muda porque dialogamos sobre o que cada um/uma olha.
Muda porque nos faz ver o que não havíamos visto antes.
Muda porque nos faz ver o mesmo de outro jeito.
Muda.
Simplesmente, muda.
E muda de um jeito tão bom que não dá pra descrever.
Dá sim pra narrar o vivido e cada um/uma imaginar o tanto que nossos olhos mudam com a presença de amigos.


Bjs, Claudinha e Fabio ; Fer e Douglas

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Recadinho de Alegria...

Hoje estamos em mais um dia de êxtase!
Fer e Douglas, nossos assíduos frequentadores e comentaristas do blog, cá estão!
Pois é, quiseram pegar um vôo do Brasil e vir ter conosco pra conhecer de perto o que contamos no blog!
Dá pra imaginar o tanto de aventuras que viveremos cá?
Fiquem tranquilos que partilharemos com vocês algumas de nossas histórias juntos...
é claro, pra deixar um gostinho de "também quero"!
Heheheheh

Bjs, Claudinha e Fabio